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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A con ti nu a ção

Tenho a impressão de que a gente vai ficando mais velho e mais doido.
Claro que eu sempre fui razoavelmente doida, mas tem umas coisas muito esquisitas, umas mudanças que não fazem muito sentido na vida da pessoa, se você for pensar bem. Eu, por exemplo, de uns tempos pra cá, mudei meu padrão de sono. Ou ele mudou para mim, sei lá, porque de fato não assimilei bem o lance. É que eu sempre tive um sono pesado, de seguir adiante com algum barulho e luz (não muito, que também sou filha de deus), super não me importava de ser acordada antes do tempo, porque virava e continuava a dormir na maior. Hoje já não, tenho aquele sono mais leve, que se despertado parte, se incomoda com tudo e toda aquela chatice que é meio de gente velha, mas não exclusivamente.
Tenho uma tia que diz, hoje mais mas há anos, que não dorme à noite. A verdade, ou o que eu vejo dela, é que ela de fato dorme, mas desse jeito leve e intermitente e dá para imaginar a cabeça dela funcionando e dizendo "eita, que você ainda não dormiu?" e aí ela capota mas logo acorda e a questão ainda é a mesma. Como se ela não se desse conta e aí a vida tem que ser uma merda, ?
Por outro lado, eu venho desenvolvendo a habilidade primorosa de dormir sentada. Em ônibus, principalmente, mas quando eu era adolescente me gabava de jamais ter adormecido num sofá, enquanto via televisão. Também dizia que não dormia lendo, coisa que hoje sabemos é uma total inverdade - ler aliás se tornou meu instrumento mais precioso na conciliação do descanso.
Nem sei por que resolvi escrever essa bagaça, eu queria mesmo era ter comentado o lance do Rio e o Júnior, coisa que talvez ainda faça, porque acho importante e bonito e sei lá.
De repente eu não falo por isso mesmo, toda a coisa do indizível e da beleza.
Isso de admirar alguém, ? Que importância da porra tem na nossa vida, tem na minha ao menos, poder olhar pro mundo e admirar uma pessoa e eu confesso ter algum medo de o encantamento, mais do que a paciência, vir em porção limitada e poder acabar de uma hora para outra para nunca mais.
Ai, os limites. As coisas que têm ou terão ou faremos de tudo para impedir de ter fim. Como se fosse terrível e pode muito ser, mas terrível é tudo nesse mundo velho de guerra.
Eu estou um tanto sem paciência, mas espero que o ano novo traga um novo estoque. Ou é mesmo pelo fim do ano, que mais uma vez voou e aconteceu tanta, tanta coisa, diferente de outros momentos da minha meio-curta-meio-longa vida.
Entrei numas esses dias de, durante uma conversa, afirmar que estou num momento de tranquilidade e, enquanto o dizia, me dava conta tanto da importância de ser uma verdade quanto da volatilidade da mesma. Todo o lance de ter defendido e terminado um trabalho e aquela angústia - não tem como escapar dela e olha que eu tentei - sobre o que fazer depois, mesmo quando o caminho está todo demarcado. Eu fiz um esforço tremendo, no começo do ano, para me preparar, fiz até uma lista das coisas a fazer quando terminasse e posso dizer com orgulho que alguns itens já foram riscados. Só que é um fim e não foi terrível, mas o desconhecido tem essa capacidade de nos deixar temerosos. E todo o processo que é desgastante chega uma hora que dá nos nervos e a gente se pergunta - ou se pergunta o tempo todo, só que algumas vezes dá pra ouvir - se é isso mesmo, se escolhemos certo, se estamos indo bem e tudo o mais.
E a gente responde - ou eu respondo - que não tem muito como saber, que é confiar e seguir adiante, porque o que mais a gente pode fazer?
Mas aí tem momentos, como naquele café, em que você olha para si e ao redor e diz: certo, acho que é isso aí. Muitíssimo por causa do curso maravilhoso que acabei de fazer, estupendo, fenomenal e tudo mais de adjetivo que se queira colocar, me sinto empolgada com as minhas escolhas, com o x que assinalei há quase dez anos num formulário de inscrição e que me trouxe até aqui. Sei não se a história tem moral, mas tem um comprometimento que é lindo de ver e sentir e participar. Eu gosto dele e ele combina comigo e me deixa à vontade para eu poder dizer que me sinto, sim, tranquila, mesmo sabendo que o caminho é longo e árduo, que o meu ano ainda não acabou e só vai terminar depois de muitas páginas, mas é isso aí.
Fixei mais uma vez no Lenine e adoro quando ele diz "amor a morte a continuação".

Um comentário:

Loy disse...

alguém me disse que havia uma relação entre perda de massa muscular, desaceleração metabolica e diminuição da qualidade do sono conforme a gente envelhece. mas pode ver, são raras as pessoas de idade mais avançada que alegam ter boas noites de sono - tem a ver com isso.