Desses dias em que a gente acorda assim com um aperto no peito, sem saber exatamente por quê - será que em algum momento nos é dado saber exatamente alguma coisa?
E hoje tudo bem, dói mas não muito, vamos lá cuidar da vida, para o ensaio, para casa, para o banho, para o almoço, para o descanso e tudo bem. No meio do caminho o incômodo se perde, depois volta para visitar, vai embora de novo, e sei lá.
De vez em quando a gente entra a fazer umas viagens... não sei bem para onde e por quê, mas seguimos e é difícil saber o que encontramos.
O que procurávamos? O que perdemos? O que nunca tivemos nem teremos?
Ou será que a brincadeira é essa, a gente segue em frente e a única coisa ao nosso alcance, tudo que podemos ser e ter somos nós mesmos?
Eu me encontro agora meio que numa encruzilhada, ou nem tanto. É só que não sei o que quero e isso é estranho. Talvez isso signifique simplesmente que eu não quero nada. Não que eu esteja vivendo de luz, perdida no éter, quero sim muitas coisas, mas nada que esteja fora da minha realidade e isso pode ser o mais estranho. Das possibilidades não só existirem, como estarem perto. A gente se acostuma tanto a querer o impossível, vira mesmo um hábito e é difícil voltar atrás e achar satisfação no que está ao nosso redor.
Eu encontrei, há coisa de um ano, uma felicidade indizível de não querer estar em nenhum lugar, além daquele onde eu estava. Devo ter discorrido imensamente sobre isso, repeti por todo lado, anunciei aos quatro ventos.
O triste da vida é que também os bons momentos passam. O bom, é que os maus também se vão, mas no equilíbrio das coisas é isso, ganha-se aqui, perde-se ali. E os bons momentos passam e esse meu momento passou. Depois disso, dias tempestuosos, de dúvidas e angústias e culpa - ah, a culpa... - e a esperança de que a montanha russa voltasse a subir.
Um ano depois... e aí? Não sei. A tempestade passou, por enquanto. Aquela mesma sensação não voltou, como não poderia voltar. Não existe volta, embora às vezes eu me esqueça e deseje ardentemente. Mas chegou alguma outra coisa, eu só não sei dizer o quê. Há aqui alguma tranquilidade, há risos e sorrisos, cansaço, trabalho.
O que me causa ainda algum incômodo é que eu não sei bem onde estou e aonde vou. Onde quero estar. Pergunto-me se há algum outro lugar em que eu gostaria de estar que não aqui e não sei responder.
Realmente não sei - e embora essas duas palavrinhas sejam favoritas e a dúvida minha bandeira, há algo em mim que anseia por saber.
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