Eu sempre gostei muito dessa música, acho que foi o primeiro cd da minha irmã, quando compramos nosso primeiro cd player, nos idos de muito tempo atrás. Tão isso, né, lembro de quando compramos o primeiro cd. O meu foi um mix do que chamávamos de "dance music" e tinha uma música da chuva de que não consigo lembrar agora.
E aí que eu não manjo lhufas de música e minha péssima memória me impede de manjar qualquer coisa de bandas, mas vendo ali os caras assistindo à apresentação e visivelmente emocionados, a questão que me veio à mente é até que ponto eles têm noção de que se tornaram imortais. Será daí que vem a emoção?
Provavelmente não, mas o fato é esse: imortais.
Reconheço minha profunda ignorância sobre tudo, mas lia um texto da Márcia Tiburi sobre isso, há umas semanas, sobre o que é arte e o que não é. Ela falava sobre um fenômeno chamado de literário que tem tomado o mundo, ultimamente, e sobre a diferença entre livro e literatura; sobre como é claro que um livro é uma mercadoria, produzida, reproduzida, vendida e comprada, mas ao mesmo tempo o que ele contém é maior do que o preço de capa. Quando é literatura e não apenas mercadoria.
E afinal de contas é isso, que a arte tem, esse excesso de valor, esse valor incontável e que, ao fim e ao cabo, traz em si algo que transcende a mortalidade. Permanece depois do fim e de tal modo que acreditamos que permanecerá sempre.
Estou a milhões de quilômetros de entender o que significaria isso, o cara ser um Led Zeppelin na vida e cantar uma Stairway to Heaven perante dezenas de milhares de pessoas. Sei apenas da forma como me atinge a mim, na minha insignificância e finitude, saber que existem por aí pessoas que entendem. E são.
Talvez o grande barato dessa nossa humanidade seja isso, da gente conseguir se apropriar desse excesso alheio e torná-lo um pouquinho nosso, de conseguir se encher um tantinho disso que transborda do outro, sem ser apropriação indébita, porque o outro nessa história já dançou e o que ele deixou é arte.
Divago, sim, divago.
Tenho uma sobrinha, por isso fui/sou exposta/me expus a diversos tipos de músicas infantis, desde as fenomenais até as mais impróprias, mas que a direção da escola achou apropriadas para serem cantadas e dançadas na festa junina. Sendo perfeitamente claro a qualquer ser com uma cabeça em cima do pescoço que existem tantas músicas lindinhas de festa junina, que falam sobre a gente, de onde viemos, o que fazíamos, quem somos, mas não, a direção acha que festa junina é meteoro da paixão.
Mas divago.
Próxima, assim, de músicas infantis e ainda muito ignorante, caí há alguns anos no Palavra Cantada, esse grupo maravilhoso que faz música pra criança sem ser imbecil e sendo lindo e emocionante. No final do ano passado, ou no meio, já não sei, viajei com a sobrinha e colocamos num pendrive, para ouvir na longa estrada, todas as músicas que tínhamos do grupo, e uma me emocionou em particular. Nem sei bem por quê, se é que alguém sabe alguma vez, ou se é que alguém alguma vez ignora.
É Beleza, né? Assim com maiúscula, até porque tem aí algo de ridículo, mas só porque ela pura beira o insuportável.
Deixa aqui pra vocês e pra mim, quando eu voltar.
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