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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Echoes

O tempo.
A sombra das raparigas em flor.
Minhas madeleines.

Eu tinha te dito que andei falando com gente que há muito não falava.
Abri assim as portas para um passado que nunca vai, sempre está aqui com a gente, ecoando numa simetria tão estranha e óbvia.

Dizia a uma amiga - já te disse que acho que já falei isso, se falei, como combinamos, fica aí escutando que é seu papel - de lembrar ali de uma juventude de dor e do resto. Tive a resposta "sofrimentos do jovem werther" e ri tanto. E ecoa um misto de dor e saudade e risos e todo o resto.
O resto.

Fato é que o tempo.
A nossa - a minha - juventude é agora de outros, que estão ali gritando e gritando e tá doendo aqui, através do tempo e dos ecos. Uma dor que em mim marca a vida, porque talvez eu tenha sempre sabido que ela é isso aí, talvez tenha sempre estado aqui. Neles pode marcar morte e dói.

Eu vejo através da janela duas meninas perdidas e me choco de só agora ter entendido o tamanho do desnorte. Nem entendi, talvez nunca alcance, apenas fiquei sabendo e surpresa com a inabilidade de ver e ecoa.

Eu ouço agora os gritos e não sei o que fazer; não há o que saber, a não ser gritar e doer junto.
A noite se aprofunda entre tambores e barulhos, e vem junto a kalunga, suassuna, a esquina e eu dizer.
Ecoam aqui todos os gritos, uma noite de quarta-feira, e eu reverbero.
Ecos.
Caos.
Cais.
Lara.

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