Ainda agorinha eu estava ali no quarto, tentando pulsar a hipófise.
Sim, hipófise mesmo, aquele pedacinho do cérebro que eu vi agora na tv que se a gente vibrar não tem depressão. Eu senti umas tonturas e um início de dor de cabeça, mas me convenci de que era a hipófise vibrando, então tudo ok.
Eu tinha algumas coisas a dizer mas, pra variar, esqueci. Agora tenho que procurar um programa de tv que ensine a ativar a memória, mas até eu inventar coisinhas pra dizer aqui, levantar, fazer xixi e sentar novamente em frente ao aparelho certamente já terei esquecido tão nobre objetivo.
Uma das coisas, lembrei, era dizer que eu estou sendo perseguida por aranhas, ou melhor, pelo medo delas. Isso porque há umas semanas apareceu uma armadeira na minha vizinha e eu fiquei alguns dias imaginando que tinha uma escondida da minha cama toda vez que eu me deitava. Todo mundo sabe que hipocondria tem tudo a ver com neurose. Aí, hoje, recebi um e-mail sobre aranhas assassinas que te picam quando você senta num vaso pra fazer xixi e você morre. Ok, quase, mas enfim. Uma vez isso aconteceu comigo, mas era uma formiguinha, só, mas eu levei um baita susto, ao sentir uma picada em lugar e hora tão impróprios.
Acabei também de lembrar que, no mesmo programa que hoje falava da hipófise, também há algumas semanas, falava-se no funcionamento do intestino e em como é um problema pra gente falar sobre isso, que não tem jeito confortável e as pessoas, no fim das contas, simplesmente fingem que não... evacuam? Cagam? Isso aí. E eu, como pessoa, também acho esquisito falar, mas notei que eu disse "quando você senta pra fazer xixi", afirmação essa que eu sou obrigada a remendar, por questão de saúde pública, porque o diabo da aranha te pica também se você sentar pra fazer cocô ou qualquer outra coisa que você sente num vaso sanitário pra fazer.
Mas voltando ao caso da vizinha e da armadeira, ainda antes do e-mail sobre o banheiro, eu sonhei nesse fim-de-semana que era atacada por milhões de aranhas. Elas eram daquelas peludas-que-não-fazem-nada-porque-não-são-venenosas-mas/
-ainda-assim-assustam, cujo nome eu esqueci, e eram mesmo milhões. Eu já tinha meio esquecido isso do sonho, mas enquanto eu falava agora ele voltou num flash distante e já de novo foi para longe.
Foi meio aterrorizante, mas eu acordei. Agora o que promete me tirar o sono nos próximos dias é a reflexão sobre a possibilidade ou não de isso ser um sinal. Todo mundo também sabe que... que o quê, mesmo? Ah, sim, "não há dois sem três". Isso é uma máxima de poder incontestável e aplicação inevitável na vida de todo mortal. Se uma coisa acontece uma vez, pode parar por aí, mas se ela acontece duas, certeza que vem a terceira. Então, aranhas.
Acho que a única saída vai ser uma racionalizada básica, me dizendo que são "avisos-de-aranhas", muito diferente de "aranhas-em-si", uma divisão assim semiótica (pareceu bonito, vai? Mesmo que não caiba, porque eu não sei exatamente o que é "semiótica", como também desconheço o significado de "hermenêutica", e tem ainda a terceira palavra que eu já olhei milhões de vezes no dicionário e ainda não grudou nem uma definição toscona, mas que eu esqueci). Enfim, esse era um assunto.
Talvez outro fossem as risadas imbecis que eu dei, também agorinha, procurando na internet fotos de jogadores de vôlei parecidos com pessoas que eu conheço. Cheguei à conclusão - certamente revolucionária - de que isso de reconhecer parecenças é como andar de bicicleta. Explico: eu nunca na minha vida tive facilidade de achar pessoas parecidas, tipo o Tarcísio Meira e o filho dele, eu achava que não tinham nada a ver. Até que um belo dia, não sei se foi alguma coisa que eu comi ou se dormi virada pro lado errado ou se foi deus mesmo quem me iluminou, um belo dia, plins, eis que eu começo a ver semelhanças a torto e a direito, isso de nariz de irmãos, olhos, bocas; a coisa já evoluiu tanto que eu agora reconheço pessoas que vi, digamos, cinco vezes na vida, em jogadores de voleibol (me recuso a escrever"-ball", mesmo que o google ordene) via satélite. Aí que eu ri como boba, ainda mais ao saber que confere.
Ah, e eu ia contar também do cara que dormia no ônibus, da cara de desprezo do cara que lia ao lado dele e do milagre de demorar menos de uma hora pra atravessar São Paulo através de transporte público em hora de rush, mas acho que não tem muita história aí. Quer dizer, eu acabei de contar e não encheu nem três linhas.
Então, como conclusão e síntese, esse texto não é sobre nada em particular, os jogadores São (vai, óbvio que esse "são" era pra ser minúsculo, e eu peguei na revisão, mas achei tão bom que resolvi deixar. Ia apagar, porque os caras não São nem um Miljkovic, nem fizeram milagre contra os putos dos americanos, mas enfim, quem sou eu pra questionar o porquê das coisas, mas Sejam, então) Zlatanov e Fei, da Itália, os sósias deixa pra lá, eu continuo viva, melhor hoje do que ontem porque vi, depois de muitas horas na penumbra, que há uma luz no fim do túnel. Quiçá, até, duas! Ora, ora, quem diria?
Parece até que esse coração amante (à Teresa Cristina) ou, como eu gosto de trocar num dos meus inúmeros mal-entendidos musicais, esse pobre navegante, meu coração errante, enfrentou a tempestade e diz agora que aqui a dor não tem razão.
Sim, olhemos todos, daqui de cima, a paisagem ao redor, os pássaros e o sol se pondo vermelho e laranja e o azul naquele tom preferido, e o silêncio, um perfume agradável - no meu caso algo parecido com bolo de chocolate -, um vento gostoso, um arrepio seguido de um agasalho, vamos todos olhar muito bem, respirar fundo, contar até, digamos, cinco, e nos preparar para ladeira abaixo. Porque, como diziam os Ursinhos Carinhosos "faz parte da vida".
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