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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De poesia

Engraçado isso da gente se descobrir.
Eu, por exemplo, nunca gostei de poesia. Gosto, ou desgosto, esse, que já gerou exclamações inconformadas ou trejeitos de desprezo por parte de amigos e conhecidos, isso quando eu chegava ao ponto de expressar meu sentimento. Já fiquei em silêncio constrangedor ouvindo alguém dizer "mas e fulano, que disse que não gosta de poesia!!! Pelo-amor-de-deus" e etc. Claro que a pessoa podia saber ali, na hora, que estava falando com um desses párias, mas por motivos outros, não sabia.
Aí hoje, eu no carro - realmente, tem gente que tem epifanias em igrejas, templos, florestas, praias, lugares assim, mais propícios, eu já sou mais chula e me conheço no carro - eu pensava que não é que eu não gosto de poesia, eu não gosto de ler poesia. Já me sinto um tanto redimida em relação às pessoas inteligentes. Mas é fato que quando eu ouço, costumo gostar. Já era assim com a tal de vermelho e branco, que eu não entendia lhufas, os sanglots longs des violons de l'automne e assim por diante. Ou das vezes em que eu ouvi o Lirinha contando os cordéis. Gosto e muito.
Ou talvez seja tudo mentira, e eu só gosto dessa que a Bethânia recita, que eu já tinha gostado antes e esqueci, e quis vir aqui escrever e precisava de uma desculpa.
Vai saber...