Engraçado isso da gente se descobrir.
Eu, por exemplo, nunca gostei de poesia. Gosto, ou desgosto, esse, que já gerou exclamações inconformadas ou trejeitos de desprezo por parte de amigos e conhecidos, isso quando eu chegava ao ponto de expressar meu sentimento. Já fiquei em silêncio constrangedor ouvindo alguém dizer "mas e fulano, que disse que não gosta de poesia!!! Pelo-amor-de-deus" e etc. Claro que a pessoa podia saber ali, na hora, que estava falando com um desses párias, mas por motivos outros, não sabia.
Aí hoje, eu no carro - realmente, tem gente que tem epifanias em igrejas, templos, florestas, praias, lugares assim, mais propícios, eu já sou mais chula e me conheço no carro - eu pensava que não é que eu não gosto de poesia, eu não gosto de ler poesia. Já me sinto um tanto redimida em relação às pessoas inteligentes. Mas é fato que quando eu ouço, costumo gostar. Já era assim com a tal de vermelho e branco, que eu não entendia lhufas, os sanglots longs des violons de l'automne e assim por diante. Ou das vezes em que eu ouvi o Lirinha contando os cordéis. Gosto e muito.
Ou talvez seja tudo mentira, e eu só gosto dessa que a Bethânia recita, que eu já tinha gostado antes e esqueci, e quis vir aqui escrever e precisava de uma desculpa.
Vai saber...