Ah, a memória.
Uma vez, num blog conhecido, já mais assiduamente seguido - acho que isso tudo aqui já meio que era, né - li uma pequena crítica sobre "Candy". Com o Heath Ledger, e tal, e marquei, porque é isso que eu faço.
Não vou correndo alugar, ou baixar, ou comprar, ou sei lá mais o que se pode fazer com um filme, eu simplesmente guardo. Tenho a impressão de que todos, mas pode ser que não. Afinal, eu só lembro dos que guardo e, portanto, os outros nunca existiram para mim.
Vi que estava passando, dia desses, mas perdi o começo, e hoje meio que vi inteiro.
Meio porque posso ter perdido um minuto ou dois, ou mesmo nenhum, já que o relógio da HBO é assim pouco confiável. Meio também porque eu às vezes tenho essa coisa de não aguentar e assisto não assistindo. O que não significa que eu não assisto, entendam bem.
Enfim, só pra dizer que gostei muito do filme. Mais do que o gêmeo "Réquiem para um sonho". Nem sei se é melhor, talvez eu seja só mesmo muito besta. Mas vi, gostei e quis dizer, mesmo que desse meu jeito que na verdade não diz nada. Ou talvez, além da idiotia, eu só faça com os outros o que gosto que façam comigo: me digam que gostaram sem contar metade - e em alguns caso toda - da história. É bonito, e ponto. Ou melhor: eu achei bonito, e ponto. Recomendo.
Aí mudando de assunto, mas não muito, vi outro dia "Austrália". Confesso que tava com medo, de verdade, de ser aquela bosta total, e eu ainda aluguei. Fiquei com uma sensação diferente, talvez nova. Normalmente eu gosto das coisas mas tenho sempre aquela sensação de que não sei se entendi. Pode ser que sim, pode ser que não, o que também não me impede de apreciar. Claro que talvez eu apreciasse mais se entendesse, mas eis uma realidade que eu não posso mudar. E é fato que eu gosto que, em algum nível, me expliquem as coisas. Mas esse, do Luhrman... Primeiro por ser dele, que tem meu coração desde "vem dançar comigo", aí logo no comecinho o cara me escreve o lance lá do viver com medo, viver pela metade. E, de maneira bastante inesperada, eu gostei desse filme exatamente porque o entendi. Claro que isso pode ser só a maior ilusão que eu criei, o que não a torna menos verdadeira. Entendi, enquanto via, ou criei pra mim uma explicação do que ele queria fazer. Aí, para além de o filme ser bom ou não, já gosto dele porque me faz sentir inteligente.
Quer dizer, aquela merda toda da gente viver uma vida pra se sentir apreciado.
E por falar em apreciar, vi também ontem um filme com o John - e a Joan! - Cusack, acho que o nome em português é "matador em conflito", que achei divertido pra caramba, mas também porque eu tô desenvolvendo minha veneração por ele.
Enfim, acho que de uns tempos pra cá venho desenvolvendo um gosto condenável por frases assim meio curtas; separar o verbo do objeto e tudo mais. Isso sempre me irrita, quando leio o estilo em alguém, porque tudo bem que às vezes a gente pensa a prestação, mas sempre se pode fazer algum esforço pra facilitar a vida de um eventual leitor. É chato demais ir lendo alguém que coloca um ponto final a cada três palavras. Tipo antes de um porque. Eu fiz isso. Mas também podia ter feito aquilo. Porque assim e assado, e etc.
Peço perdão e agradeço a paciência de você, amigo leitor. Mas sabe como é, todo mundo tem fases na vida em que faz coisas de que se envergonha.
Hoje eu vi o Lenine na TV e não entendi bem, mas ele pareceu meio obcecado por orquídeas. Aí vi de novo e gostei ainda mais dele, porque tenho essa mania de gostar de pessoas com manias meio malucas.