Aí esses dias a Mônica Waldvogel dizia que não valia a pena viver por causa da Educação Sentimental do Flaubert. Tinha lá um contexto: ela citava o Manhattan, do Woody Allen, e, aparentemente, num dado momento, ele lista coisas pelas quais vale a pena viver e, dentre elas, está o livro do Flaubert.
Que eu, aliás, nunca li.
Mas estava eu aqui, nessa noite de quarta-feira, pensando. Primeiro me entreguei ao livro do desassossego (não há s's demais nessa palavra, minha gente?). Aí vim ouvir umas músicas youtubianas, não a de ontem, mas caí nuns vídeos de que gosto muito.
Muito, mas muito. Demasiadamente.
E hoje mesmo, percorrendo um caminho familiar para um destino não usual, pensando em mim e nas minhas coisas e na minha vida, me perguntava quando me tornei tão estranha. De repente consigo isolar aí um ou dois anos da minha existência que determinaram tudo. Ou estaria tudo determinado já muito antes disso? E apesar de gostar de ser algo estranha, não tenho a menor vontade de revelar as coisas que me fizeram - e fazem - estranha.
O que seria a vida além de um grande jogo de esconde-esconde? Numa hora revela, em outra oculta, numa aleatoriedade suprema.
Mas não, nem fora de mim sinto o menor ímpeto de revelar os pequenos segredos que me trouxeram até aqui. Os quais, muito provavelmente, ninguém acharia nada de mais.
Mas, sendo a que pude ser, até aqui, e sem ter nunca lido o livro, me regozijo por não ser educada, sentimentalmente.
Porque a minha xucrice me permite tanto viver além do que seria possível, educadamente. E experimentar, cá dentro da minha concha, um tanto de coisas, talvez só reveláveis a uma companheira do sexo feminino, que infelizmente não há presente na minha lista, a essas horas.
Não peço, no entanto, desculpas.
Ah, do que se perde em silêncios intermináveis...
Nesse meio tempo, vou levando meu jogo solitário.
Mas, feliz ou infelizmente, eu encho um estádio.
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