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terça-feira, 27 de abril de 2010

Malungo

Uai, e bem quando eu tava por aí caçando borboleta e falando que gosto de violão o Errar fez aniversário. Dois, já. É menino grande, que nem na música do Palavra Cantada. Que sabe jogar bola, não sabe tomar banho e depois aprende, não sabe pôr sapato e depois aprende, e tudo aprende mas ainda quer carinho.
Gosto muito da música, tem uma coisa cálida que me agrada.
E nessa se vão dois anos. Foram-se dois. Anos. Tenho aquele prazer imbecil dos números, de ver o total de textos e que todo mês tem ao menos um, prazer e fetiche esses que, talvez, garantam a continuidade do espaço.
E praí há dois anos ele chegava de Doralice. Ele, como se não fosse eu. Eu, que sou tantas e ele.
Justamente hoje, ou ontem conforme essa regra maluca de que o dia muda à meia-noite, eu tava folheando o Desassossego e deparei com uma dessas partículas que fazem doer, de verdade e de inveja.
"Como há quem trabalhe de tédio, escrevo, por vezes, de não ter o que dizer. O devaneio, em que naturalmente se perde quem não pensa, perco-me eu nele por escrito, pois sei sonhar em prosa."
Não sei qual trecho é, porque depois perdi e ainda não achei. E fiquei pensando "sonhar em prosa" e eu, se sou pessoa de alguma coisa, sou de prosa, e, sendo, nunca poderia dizer uma coisa dessas, porque não sou Pessoa. só minúscula, eu.
Como ninguém ainda fez um blog "sonhar em prosa"? Tem não, cacei. Preciso parar com essa mania, ou daqui a pouco vou ter uma coleção de blogs vazios com nomes de que gosto.
Começa de Doralice e termina, pelo menos por hoje, com Pessoa. Foi o dito quem falou que o meio era ele?
Enquanto isso, continuo sem saber de nada, mas nadinha mesmo. Sei que a vida vai indo, às vezes nos levando, outras, empurrada. Sei que, em algum momento, entre a Doralice e o Pessoa, ironia talvez, mas perdi o hábito e algo da vontade de me rasgar aqui. Me rasgar, e ponto? Pode ser também, mas sempre alguma coisa rasga, seja a gente ou não, pela nossa vontade ou contra ela. Só não aqui, ou menos aqui, ou só agora, que os fiapos são menos aparentes. Sempre pode acontecer de aparecer um buraco e ele querer se mostrar.
Então, sem costume e sem desejo, há que se mudar o passo. E de todo jeito ele fica mais lento, com o passar do tempo, que eu sou dessas do cansaço.
Mas tem ali o arquivo, o fetiche e a vida que fazem seguir o errar.
Parabéns, então, para nós. Eu e você, companheiro, que viemos juntos no mesmo barco e nele seguimos, para encontrar os nossos amanhãs, mas que não contam porque serão então só os mesmos nós.
Um par de dois.

Um comentário:

Re disse...

parabéns!!!!
ei! sonhar em prosa não é um nome/ideia tão mau assim ¬¬
beijo