Tava uma galera conversando sobre umas figuras x que entraram, uma pra um monastério e outra prum convento. Numas de ser absurdo e talz, o que bem acho que é, mas depois fiquei matutando.
Sei lá se atingi de repente, nos últimos dias, um grau absurdo de bizarrice, mas o fato é que meio que não estranhei. Isso vindo de uma pessoa que, em determinado momento, sentiu uma surpresa enorme ao descobrir que uma colega frequentava semanalmente a missa.
Esse lance todo de missa nunca fez parte da minha vida, nem direta nem muito indiretamente, daí achar que era uma coisa totalmente ultrapassada que minha vó faz e que não é partilhada pela juventude. Aí ao descobrir isso, que galera da minha idade vai mesmo, toda semana e tudo, me causou um certo choque.
De uma certa maneira a idéia de frequentar a igreja me parece mais esquisita do que se enfiar num mosteiro. O romantismo da idéia é manchado pelos comentários de que monge fica fazendo produto de limpeza para vender em feirinha de fim-de-semana, mas ele não desaparece de todo, o romantismo.
A idéia de recolhimento, mesmo, e de uma renúncia verdadeira - porque o legal é o lance ser mesmo de verdade, não pra inglês ver - ao mundo profano parece bonita.
Numas mesmo de olhar ao redor e dizer não. Recusar, né? Não aceitar a merda toda e se fechar num prédio, ou sei lá onde - confesso que imagino aquelas construções de pedra com jardins e bosques e espaço e tempo para pensar e ver o céu. De repente eu acho que o cenário todo é mais de viagem no tempo do que qualquer outra coisa.
Sinto falta de sentir esse tipo de fé, porque imagino que haja nessa escolha muita fé. Ou desespero, ou até piração, mas não sei até que ponto todas essas coisas se separam. Sinto alguma inveja dessas pessoas que acreditam, mesmo tendo para mim que elas também duvidam. Duvidam, porém, talvez menos do que eu e não consigo deixar de pensar que há grande consolo nisso.
Consolo de que, cara-pálida?
Tão cruel isso que eu faço de achar sempre que o mundo é tão hostil e precisa de compensações pelas merdas todas que tem. Queria, em algum momento, achar meio natural isso dele ser todo errado e talvez então eu acreditasse que não é tão errado assim.
Eu não me enfiaria num monastério porque super não acredito em nada o suficiente para me submeter a esse tipo de ordem. Não acredito em nada e isso é tão tão doloroso.
Mas, se é pra ser romântica, prefiro esperar um dia ter aqui meu conjunto de crenças mais bem definido que é hoje, ser então uma pessoa muito melhor do que sou, ver por aí mais beleza do que vejo. Espero ser então eu mesma meu próprio retiro, recanto ensolarado onde descansar do barulho do mundo.
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