Ok, ok, Maria Helena.
Ninguém vai concordar comigo, nem ver aí o que eu vejo.
Mas eu vejo, vejo e não consigo parar de ver.
A coisa é toda linda e a bata de cola é um lance assim quase assustador, na verdade, mas o que me gamou nesse vídeo são ali os dois segundos de jogo de corpo, que me impressionaram.
Toda a técnica é maravilhosa, mas para além do todo, esses dois segundos para mim se destacam como definição de arte.
Primeiro me apaixonei pela encurvadinha que ela dá, exatamente aos 5:32. A guitarra dá uma nota mais grave que parece cair exatamente nas costas da bailaora. É tão sutil, a mudança na postura, e tão perfeita. Acho que é isso que o comum das pessoas não consegue fazer: dar expressão ao movimento.
E a música é muito bonita.
Enfim, um desses detalhes em que fico como viciada; vejo inúmeras vezes e parece que falta em mim capacidade para absorver a beleza do corpo que se curva. Como se precisasse de mais eu para alcançar, como se aquele segundo, 5:32, não fosse suficiente, como se devesse ser maior, talvez eterno.
E tão pessoal, como essas coisas que só a nós faz sentido, que em outros olhos passarão em branco, que não despertarão paixões outras, mas ainda assim...
Em mim desperta.
E me desperta.
Concha Jareño, no silencio:
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