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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O problema é o meio

Isso porque o Zeca nem é meu amor maior do momento.
Ele, o que é, é de Casa Amarela.
É só que eu meio que decidi, porque tenho de trabalhar e não quero muito (ou porque meu processo é esse mesmo, de um passo para frente e uma quadrilha toda ao redor), mas decidi resolver aqui uns assuntos pendentes, respostas deixadas para momentos mais... não sei, propícios, calmos, claros, ou só posteriores.
Tem graça o fato de meus últimos meses terem sido recheados por esses reencontros que causam alguma estranheza e sei lá mais o quê. Às vezes saudades, noutras expectativas, ou só lembranças, ou só carinho, ou nada. Não sei direito e me sinto meio bêbada.
Mas lembrei do Zeca cantando ao Odair, em que ele fala da felicidade e das cruzes e crises, e eu gosto do jeito como ele fala aquilo de a felicidade vir quando a gente menos espera, e "ela vem. Vai, vem, vai, vem, vai-vem-vai-vem-vai, vem, vai, vem, vai. Vem. Vai." Sei lá, gosto do ritmo, gosto da voz, gosto do que ele diz, gosto dele.
E é tão isso a vida, né? Vai e vem e vai. E vem. E vai. E quando será que termina? Mas só termina quando acaba, quem é que diz isso?, e a gente não sabe nunca quando é.
Ai, o futuro, que gosta de brincar de esconder e fica deixando rastros, sem nunca ser alcançado.
O futuro que não existe, mas a gente gosta de inventar que sim, de repente numas de deixar para fazer nele o que deveríamos estar fazendo agora.
É só que isso da resposta... tem horas que parece um vazio a ser preenchido, mas depois... não sei, acho que a verdade é que não me conformo, ou melhor, não consigo sempre aceitar isso da vida ser essa desconhecida; das pessoas serem assim inalcançáveis e de a gente também não conseguir se chegar. Faz sentido, será?
Sinto agora uma coisa sem nome. Será que não tem ou eu apenas ignoro?
É algo assim: não é tristeza, também não é alegria, tem um quê de tédio e dor nas costas, uma parcela de sono, mas também de dormir em excesso, não é vazio, mas não é cheio, não dói, não coça, não faz cócegas, não aperta e não explode, mas ainda não é vazio, não desespera, não é solitário, é assim, isso tudo e não sei mais o quê.
Como será que chama?
Ok, volto então ao trabalho esperando com ele me livrar de outra coisa que sinto e cujo nome conheço bem demais. Começa com cul-, e termina com -pa.

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