Redescobri aqui um puta hino, que eu já amei profundamente mas que caiu nos braços do esquecimento. Porque é isso, né?, a gente meio que vai amando uma coisa por vez, e o amor de ontem fica ultrapassado e relegado pelo de hoje, e o de hoje pelo de amanhã e assim eternamente.
Eu ainda penso, como pensava há muitos anos, que isso meio que significa que a gente não ama nada verdadeiramente, se tudo passa. Ou talvez a verdade seja mesmo que o que vale são esses pequenos momentos de amores passageiros e tudo bem eles passarem, porque como vão, vêm.
Então eu ando num momento mais pro rock'n'roll, ainda que matizado pelos adorados brasileiros que tanto fazem a minha cabeça. Mas tenho ouvido a Kiss FM mais do que qualquer outra rádio e o sentido de estar ali é permitir a ela que me apresente coisas novas. Novas para mim, obviamente, que não conheço nada de nada. Então ouvi, numa programação dessas, uma do David Coverdale e caí de volta em "Soldier of Fortune". Que eu ouvia muito numa fase Deep Purple, também há muitos anos. E são tantas as ligações despertas.
Lembrei de um melhor amigo que tive - não sei até que ponto tenho - que adorava - não sei até que ponto ainda adora - Deep Purple. Uma vez, a gente foi viajar e ele entrou no carro e colocou um cd roxo no aparelho de som e falou: Adivinha ae quem é. É claro que eu não vou reconhecer voz nenhuma, nem música nenhuma - ok, talvez quando chegasse em tipo Smoke on the Water, mas ainda assim. E ele dizia, enquanto eu me afobava pensando que diabo de banda era aquela: "olha o cd que você vai adivinhar". De um tempo em que as coisas eram mais simples. Em que éramos mais iguais.
Depois encontrei gravada uma conversa que tivemos, na outra vida, sobre um desentendimento que não chegamos a ter. É tão fácil a gente sair julgando os outros, né? E também tão fácil a gente sair se culpando por tudo o que acontece, apesar da contradição. E demais são as perguntas que ficam sem resposta.
Então caí em "Soldier of Fortune" e me lembrei dele. Além da música ser do caralho - como ele me ensinou a dizer.
E no ano passado, quando eu fiz uma pequena incursão pelo twitter para acompanhar a campanha, vi uma espécie de enigma que a Márcia Tiburi colocou no dela, perguntando qual era a única coisa do mundo, ou da vida, que não tem preço. E galera falando um tantão de coisa, amor, educação, felicidade e ela dizendo que não, porque bem ou mal essas coisas a gente pode comprar - ou ao menos a ilusão delas. E que a única única coisa que não tem preço, que é inestimável, é o acaso. Que, pelos mais crentes, pode ser chamado de destino. Ela deve mesmo ter falado de um jeito muito mais bonito, mas me lembro de ler e pensar "aaahn..., não é que é, mesmo?".
E essa semana tava ouvindo uma colega contar que ganhou uma lembrancinha num restaurante japonês e que são dois gatinhos e um atrai, sei lá, felicidade, saúde e mais não sei o quê, e o outro era fortuna. Fiquei me perguntando até que ponto ela entendia fortuna como isso, sorte, acaso, destino, e até onde pra ela era dinheiro, dinheiro, dinheiro. Porque, sei lá, tem gente que é isso, né? Ou, mais uma vez, eu que sou tosca e acho que as pessoas não vêem as coisas na mesma profundidade que eu. Parte de mim se pergunta se essas minhas indagações não são só coisa de quem tem muito tempo livre.
Mas o ponto é esse: fortuna é uma idéia que me agrada. Como destino, mas ele tem aí alguma coisa como que programada, exige uma fé que eu não sei se tenho. Prefiro acaso. A força que comanda nossas vidas e tudo aquilo. E, sem fé, traz esperança - não sei bem de quê, talvez só disso. De uma música inesperada numa estação de rádio que se ouve num carro, dirigindo ao pôr-do-sol de uma tarde de inverno.
Um comentário:
http://www.youtube.com/watch?v=T2vRGXC-YZs
aqui também eu vi um outro lado da fortuna, ma.
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