Há anos que não escrevo aqui.
Se você olhar no histórico ou na data da última postagem pode pensar que eu enlouqueci - coisa de que não duvido - mas faz, mesmo, anos.
Anos e anos.
Esses dias cheguei em casa cantando e minha irmã soltou um "eita, tá feliz, hein?". Sempre me irrita um pouco essas coisas que ela diz, tipos quando ela saca que eu tô de tpm e joga na minha cara que minha irritação vem daí. Aí a irritação triplica, porque eu nunca na vida admiti nem admito que tenho tpm; que reajo assim ou assado por causa de reles hormônios. Acho sempre que minhas reações, apesar de poderem ser mais explosivas em um período ou noutro, são sempre justificadas.
Nisso da felicidade ela também acertou. Acho que o lance todo de tirar um peso dos ombros e ter uma perspectiva assim numa tacada só ajudam no humor de qualquer um.
Até minha pele que anda medonha uma amiga viu e comentou "ih, esse final de mestrado..." e eu nem tinha me tocado que podia muito ser isso.
Mas então um ciclo vai se fechando, ciclo longo, que durou oficialmente três anos, mas na verdade vem praí de uns quatro ou cinco. E ele não terminou ainda, mas dá pra ver já o fim chegando, se arredondando ou sei lá que forma tem.
Talvez, desde então, eu tenha me esquecido um pouco como fazer isso de escrever. Contar não contando, não contar, contar.
Como eu disse ali embaixo, a gente se acostuma com o silêncio e, por mais que isso seja positivo, também não é legal. Porque o silêncio, pelo menos o meu, não tem memória. E sem memória não dá, né? Sem registro, sem volta? Já entrei em paz com uma das motivações que me levam a, ainda, vir aqui e soltar letras em sequência mais ou menos ordenada. Escrevo para lembrar. Acho esse dos motivos mais justos e belos. Acho de uma legitimidade ímpar me registrar para, depois, me conhecer.
Então esse momento, que não dura apenas essa noite, não podia passar em branco. Sem grande esplendor, nem grande inspiração, com o que eu tenho hoje para aqui deixar, fica o registro de uma felicidade algo tranquila, de saber que pelo menos essa parte do trabalho terminou, relativamente bem, e o caminho segue. Ele sempre segue, mas essa noite vai tranquilo, por hoje não há tempestade, apesar de algo em mim ansiar pelo barulho dos trovões e pelo frio da chuva escorrendo pelo rosto.
Enquanto ela não chega, há quietude e contentamento.
Confesso que é mais do que eu esperava.
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