Todas as vezes que eu resolvo escrever qualquer coisa tenho que começar com um mea culpa. Certamente Freud explica, mas é fato e contra fatos não há argumentos.
O de hoje é sobre os clichês. Não sobre a... clichezice deles, mas sobre como eles são verdadeiros, apesar dela. E o clichê da vez é a liberdade.
Todo mundo vive falando em liberdade isso, aquilo, é direito, tem que ser assim ou assado, mas eu agora me pego pensando nas vezes em que vi/ouvi/li alguém sendo, verdadeiramente livre. Não absolutamente, porque eu passei da fase - ou ela saiu de férias - dos absolutos, mas assim, um momento que seja de total liberdade. Sem amarras, portanto feliz, leve.
Eu hoje, mais cedo, pensava que eu preciso - atenção, o verbo está colocado corretamente - chorar, digamos, ao menos uma vez a cada duas semanas. Hoje, mais cedo, eu pensava: ih, faz tempo que eu não choro, acho que tá na hora. Porque senão fica que nem açude em época de cheia, uma hora tem que sangrar. Aí vai, sangra e fica tudo bem. Atingir o limite e transbordar. No meu caso, como eu concluí há pouco que sou uma pessoa melancólica, não preciso ter os motivos mais fortes para abrir o berreiro - já que os travessões estão em alta, vale dizer que eu não abro berreiro, mas choro em silêncio. É só que eu preciso chorar a cada duas semanas, no máximo.
Hoje, mais cedo, eu sentia uma tristeza, cuja principal razão de ser, a meu ver, era a necessidade de chorar. Por tudo e nada, e o mundo e o vácuo.
Mas eis que acontece o quê? Venho eu, de novo, no carro, mudando as estações de rádio e sou acometida por liberdade. Eu como historiadora ouso dizer que a ausência de história às vezes é crucial, necessária, imprescindível. Ouço rádio e toca "loosing my religion" e eu posso cantar, com direito a caretas expressivas e tapinhas no peito, sem me recordar de nada, nenhuma conversa, nenhuma audição conjunta, nenhuma referência, só eu e a música e ela dizendo o que eu quero dizer. É nesse ponto que acaba a tristeza e dá pra ser feliz, assim em dose homeopática, mas ainda assim feliz.
Liberdade pode ser tanta coisa, né? Tão diferente para cada pessoa, em cada lugar e em cada momento, mas pra mim, hoje, é só um vazio, como o caderno que eu ouvia o Chico cantar ontem, ou anteontem.
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