Terminei, na última madrugada, o Proust. A última página é incrível, como toda metade do último livro. Fico pensando se, quando eu for reler, serei capaz de reter essa coisa que ele deixa, no final, que acho que faz uma puta diferença saber ao começar a ler. Sim, eu recomendo. E, além de ser bom, é um excelente livro para releitura, exatamente por isso, ir crescendo e, no final, depois de chegar nas revelações, parece que as coisas se fundem, começo e fim, fim e começo e, afinal, talvez ele não tenha final.
Não sei em que momento, entre o ir me deitar e o dormir, tive uma epifania. Antes de tudo isso, revisitei alguns lugares, eu gosto de me ler, talvez não puramente por vaidade, mas porque eu consigo, comigo, recuperar coisas que eu vivi, senti e pensei; além da conexão ser direta, simples, essas coisas ficaram marcadas, registradas, se bem ou mal ou poderia ser melhor não importa, porque elas estão ali, para sempre, me dizendo do que fui e foi. Mas então, o momento: eu pensei (à Cebolinha, com seus planos infalíveis) que há uma chance deu poder reler Cem anos de solidão. Lendo, oras bolas, em espanhol! Será que não é, então, um novo livro? Pode ser que não, mas a idéia me consola. E eu vou alimentá-la carinhosamente, mantê-la aquecida por um bom tempo, aprender a língua, com paciência e, um dia, tentar ler em espanhol, daqui a muitos anos porque não se desperdiça uma possível última chance com ansiedade e precipitação. Eu pensei nisso e pensei hoje.
Depois eu dormi e sonhei que aquela mulher Brasil reformava um flat em que moravam três caras. O apartamento era bacanérrimo e a área social do prédio também. No entanto, permanece a questão do porquê a merda do meu inconsciente não acha que eu posso voar.
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