Tava aqui bem ouvindo o Geraldo Azevedo e pensando.
Nem sei se pensando, acho que só estando.
Metade lutando contra o cansaço, metade curtindo a idéia do descanso.
Sempre acho um porre as pessoas dizendo que não têm muito a dizer, apesar de eu mesma fazer isso com certa frequência. Sei lá, então não diz, né não? Silêncio foi inventado por um motivo. Mas nessa vida a gente se pega tendo umas compulsões meio difíceis de controlar.
Outra musiquinha que me faz feliz, essa do Geraldo.
Tava semana passada conversando com uma amiga, ela me perguntou se eu tinha dificuldade pra escrever e eu tava respondendo que tinha um blog e, apesar de ele não ser assim tão ativo, desenvolvi o hábito de sentar e escrever, então, apesar de travar, acho que não tenho tanta.
E fui contando pra ela desse blog e do outro que eu tinha e explicar a teoria - quase esquecida - da idiotia. Engraçado voltar a pensar nessas questões, tanto tempo depois. Mais de três anos.
Estou agora muito distante das concepções que ditavam minha vida então, mas me dei conta de que, se elas se transformaram, foi pra alguma coisa muito parecida com a forma original.
Sentei dia desses numa mesa de bar com pessoas razoavelmente interessantes e, sentada ali, sentindo em mim alguma tranquilidade, consegui perceber como aquelas pessoas nunca iriam me conhecer, talvez não por ser impossível, mas porque existia ali uma barreira. Intransponível talvez, criada por mim ou por elas ou por uma abelha que passou numa tarde de verão.
Que será que nos faz ser minimamente conhecidos por alguém, ou impede o conhecimento?
Eu sentada ali, sendo, não conseguia mostrar a nenhum deles quem eu era. Quase volto no tempo e me vejo sentada, em outros bares, com outras companhias, falando quase exatamente as mesmas coisas. Que a gente vem e vai sozinho e ninguém nunca se vê, mesmo, só talvez uma manchinha no horizonte que pode ser o outro ou um leão visto de muito longe, como naquela tira da Mafalda.
Pensei isso, na mesa, e não senti uma vontade irresistível de fugir dali. Queria era ouvir as histórias que eu talvez conhecesse, se fosse outra, e dar com elas algumas risadas fugazes.
Se eu fosse outra, não ligaria a mínima pra nada disso.
Eu que sou, no entanto, fico contente de me sentar um tempo e ser desconhecida.
Eu que sou sinto vez ou outra um comichão aqui por dentro que se contenta em ser.
Um comentário:
Má, sabes que um dos CDs que Alice mais gosta é o "Ao vivo" de Geraldo?!
Depois vcs duas trocam idéias musicais ;)
Beijão pra tu!
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