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segunda-feira, 22 de março de 2010

Da dama.

Isso da gente tomar os rumos das coisas às vezes dá um alívio. Podemos ficar semanas e semanas chafurdando na lama e, ao tomar simples decisões, que não mudam nada nossa vida nem nosso cotidiano, parece que nos sentimos melhor. Mais limpos, talvez, que isso de lama, apesar de poder ser ótimo, não dá pra vida toda, não.
Mas nem era disso que eu ia falar. Nem sei bem dizer, na verdade, do que ia falar.
A não ser que era das carolinas. Isso de estar ao mesmo tempo em dois lugares, que eu sinto, vez em quando, e nos últimos dias tem se acentuado. Não vou saber explicar tão bem quanto o cara das carolinas. Estou numa onda prolixa aqui que tá difícil de conter, vi?
Mas, pra resumir a história, estou me vendo reagir às coisas que me acontecem, ou acontecem ao meu redor, como se eu fosse ao mesmo tempo duas pessoas que têm reações completamente diferentes.
Aí um lado, que eu poderia chamar de malcomportado, fica ali, querendo fazer um drama, arrancar cabelo, se jogar no chão, batendo braços e pernas, esperneando, chorando e babando, sem nem conseguir falar. Patético, sim, mas, né?, quem nunca fez que atire a primeira pedra.
Aí o outro, que poderia talvez ser o bem-comportado, mas que eu acho que parece mais com uma velha corcunda e de verruga no nariz, fica ali olhando, meio rindinho de lado pro outro que se debate, com um ar meio superior de quem já viveu muitas primaveras e sabe que nada disso importa, e mais, que nem adianta fazer nada pelo outro birrento, que birra não escuta conselho.
Uma pessoa desavisada poderia pensar "poxa, mas que bom, pelo menos um lado compensa o outro". Mas a aritmética da vida não é tão simples assim, meu caro. Porque são dois opostos tão violentos que eles acabam se anulando. Se eu não sinto nem o desespero da criança birrenta, o que é muito bom, também estou longe da serenidade da velha cacunda. E não sou nenhuma das duas, sou só uma moça de 27 anos que não tem nada resolvido. Nem perto de resolver, nem sei lá. Nem sei e, muitas vezes, também não quero saber.
E então, como fica? Como fico? Nem tem resposta, eu sei, mas tem como não perguntar? Na dúvida eu fico aqui, no meio, pensando talvez hospício, talvez sorveteria, talvez parque, talvez cama.
Ou talvez a vida seja mesmo conflito, portanto aqui, meio, enquanto o tempo da nó na gente e o cheiro da dama-da-noite invade o resto.

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