Foi-se o tempo em que eu tinha alguma dúvida sobre meu vício nessa merda chamada internet. Tava bem hoje conversando com uma amiga e coloquei como hipótese, só para imediatamente rir de mim mesma e reafirmar como fato. Aí alimento, com a capacidade que a gente tem de criar ilusões do tamanho do mundo, a fantasia de um dia ficar sem televisão e computador - ou com computador, que não curto manuscrever, mas sem a rede. Porque guardo cá ainda uma noção da inutilidade que é tudo isso, se aproxima ou distancia as pessoas não interessa, ainda o que move o mundo - ao menos o que eu entendo por mundo - são as pessoas e seus desejos e vontades e ações e limitações. Esse é só mais um palco pra gente ser gente. Acho que não interessa, como todo o resto.
Não sei onde que vi alguém comentar de outro alguém que não era niilista. Será que foi no Manhattan, que revi dia desses? Fiquei com menos raiva do Woody Allen, de repente nenhuma raiva, e fiquei me perguntando o que tanto me incomodou nele da primeira vez, para guardar a lembrança do incômodo.
Mas aí eu paro e me pergunto: não é niilista?! Pera lá, sei nem bem o que é, mas alguém será que ainda é não-niilista? Pode até não ser niilista, mas também não deixa de ser, né não? Ou sou só eu?
Até fui ali na wikipedia, ver se ela me explicava do que se trata, mas fico cada dia mais convencida da minha burrice. Ela se fantasia, entendam bem, disfarça, se esconde, mas tá ali, só raspar um pouquinho ou olhar com alguma atenção que aparece. Ou talvez eu esteja sendo otimista, e ela tá é escancarada pra quem quiser ver, mas eu como quero manter uma imagem positiva de mim mesma não enxergo. Mas eu não entendo nada, não, e é só me dar um peteleco que eu caio.
Como prêmio de consolação, talvez, se eu não consigo muito avançar o pensamento para as profundidades do ser, consigo navegar pelo mundo ou, nesse caso, pela net, e descobrir uma ou outra coisa interessante que me fazem pensar. Ou parar.
A última - ou nem tanto - foi o Salinger. Quem será que me perguntou, também há não tanto tempo, quando eu lia o Apanhador, se era sério que eu curtia? Lembro não, mas eu curti seriamente, e ainda mais ao ler uma certa figura comentando o cara. Engraçado que ela escreve de uma maneira salingeriana e isso costumava me irritar, até eu descobrir a influência e ficar imune. É incrível como esse clichê batidérrimo de que a compreensão destrói muros e cruza abismos é verdadeiro. Ou foi, dessa vez. E a figura discorria tão apaixonadamente sobre o tema que me apaixonou. Ela e ele.
Isso das referências. Ainda esse ano pedi a um amigo que me emprestasse Franny e Zooey, e ele não emprestou, porque esqueceu e nem somos tão amigos assim. Aliás, não sou mais tão amiga assim de quase ninguém. Mas queria ser, de Franny ou Zooey, ou ambos.
Fiquei com vontade de ler esse livro, talvez já tenha comentado aqui, há anos, muitos, através de uma série, que tinha uma personagem que eu adorava, meio perdidona, mas dessas mais silenciosas, que dizia, num depoimento - o seriado era permeado de depoimentos das personagens, em branco e preto - que era o livro favorito dela. E ela tinha uma livraria super mega charmosa, que acho que não andava muito bem das pernas. Nem sabia quem era o autor e podia ter esquecido o nome mas não esqueci. Dizia, a personagem, que a Franny tinha um colapso nervoso - ou algo assim - e tudo bem. Lembro muito, só não sei se é isso.
Fiquei foi com mais vontade ainda de ler e, se houvesse energia para tirar meu corpo da inércia, era bem capaz de ter ido logo a uma livraria qualquer fazer compras, mas as leis da física não são facilmente quebradas.
Muito provavelmente, mesmo que eu me apaixone, nunca vou conseguir discorrer sobre a paixão que nem a figura, nem provavelmente despertá-la assim, de surpresa e sorrateiramente em algum desavisado que por aqui passe, procurando qualquer coisa que eu não sei o que é nem onde está. Provavelmente nem vou entender, como não me sinto capaz de entender nada, mas acredito ainda que tentar, ou ao menos desfrutar, é mais positivo do que não. Afinal, é passivo.
Tava aqui, escrevi uma página e um terço e parei. Pra escrever. Não sei quantas páginas. Talvez meia? A tendência hiperativa se confirmando.
De resto, nem sei. Pode este ser um texto excessivamente pessimista, mas não tem umas horas que não dá pra ser diferente? Sem nem querer comparar, mas o colapso de um pode servir de inspiração, ou consolo, de outro. Ou tirar um sorriso, ou uma lágrima, ou um bufar, ou qualquer coisa que demonstre que, de vez em quando, muros podem ser derrubados e abismos cruzados.
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