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domingo, 11 de maio de 2008

Mudaram as estações? Nada mudou?

Eu me lembro da primeira vem em que em falaram do Napster, eu não fazia idéia do que era, conversava com um cara pela internet e ele falou preu pegar uma música qualquer lá e eu não fazia idéia do que era.
Eu estava sentada, espacialmente, no mesmo lugar em que estou hoje, embora, como tudo na vida, as coisas tenham mudado. Agora estou numa sala com uma bancada, televisão, som, livros, um lugar habitável, em resumo. Antes um tipo de galpão, com chão de cimento e uma Megan ressonando ao meu lado. Eu não a deixava entrar a não ser quando chovia, ela tinha muito medo dos trovões e eu ficava com pena. Ela deitava debaixo de uma escrivaninha e ressonava. Lembro também de alguém me dizer que os cachorros só ressonam quando eles dormem se sentindo perfeitamente seguros, lembro de olhar para ela e ouvi-la e pensar nisso. E já faz tanto tempo.
Foi nessa mesma época que eu fiz um mapa astral pela internet, antes de ser pago, e eu discordei completamente de tudo que estava ali, começando pelo meu signo, que eu sempre pensara ser outro.
Há pouco tempo, eu fui atrás dele, na tentativa de entender por que exatamente eu discordara, mas as coisas mudaram muito desde então e, agora, relendo, acho que ele se encaixa. Inclusive quanto ao signo. Entrei numas de querer um mapa astral na época do meu aniversário, mas aquele foi um período em que as coisas realmente não estavam acontecendo conforme o plano. Então, estamos aqui, três meses depois; eu rebebo meu horóscopo quase diariamente e acho uma merda. Tanta baboseira que eu quase rio. Riria, na verdade, se pudesse.
As coisas não estão muito se encaixando, eu sinto como se tivesse voltado a ser aquela garota que ia para a escola de manhã, com neblina, e no caminho até o ponto do ônibus eu era tomada pelo mau-humor matinal, que persiste, e pensava que não ia falar com ninguém aquele dia porque estava mesmo irritada e, ao encontrar o primeiro rosto conhecido, voltava à vida normal e ao máximo de interação que eu poderia ter com uma pessoa. Eu sempre tive essa coisa meio anti-social de não me encaixar muito bem. Sem enganos, eu ali fiz algumas amizades que valeram a pena, mas tinha o resto.
Esses dias eu assisti ao documentário da menina austríaca que ficou em cativeiro por oito anos; ela dizia que enquanto ia para a escola, na manhã do sequestro, estava chateada e pensava, na verdade desejava que acontecesse alguma coisa que mudasse a vida dela. Já dizia a Morgana, cuidado com o que desejas. Ela viu o sequestrador ao lado da van em que ele a carregou, sentiu uma apreensão, pensou em atravessar a rua, mas achou que era besteira dela. A gente acaba esquecendo, né, de seguir os instintos. Ficamos tão condicionados em reprimi-los. E nos é tão importante. Vital, às vezes.
Eu tenho medo, mesmo, às vezes de viver, outras de não viver.
Já escrevi aqui sobre essa coisa do mundo parar, mas eu estou tão em câmera lenta que mal dá para ver o mundo daqui.
Temo haver começado a alucinar.

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