Já dizia a Morgana: cuidado com o que pede, pois pode lhe ser concedido.
Não sei de onde, dia desses, senti uma vontade incontrolável de falar "chorumelas". Assim, do nada, ia eu no carro e sem nenhum motivo razoável soltei um "não-me-venha-com-" e desde então a expressão insiste em me escapar da boca.
Com alguma satisfação, cabe dizer. Porque na vida a gente tem que aproveitar qualquer oportunidade pra ser um pouco mais feliz.
Olha, eu não sei muito bem o que dizer e a verdade é que eu acho que perdi definitivamente a mão pra essa história de blog. Dia desses, também... é, tenho que me estender sobre os pedidos.
Eu me pego, vez ou outra, pensando em como é difícil a gente deixar algumas coisas pra trás. E também tem aquela coisa da idade do ouro, ou a grama do vizinho ser mais verde, o que nos causa comichão mesmo quando o vizinho somos o nós de ontem. O fato é que eu ainda não superei o réveillon. Não é absurdo? Começamos julho, o que significa que estamos mais perto de 2009 do que de 2007, mas eu ainda não entrei nessa sintonia. E eu dizia, para quem quisesse ouvir, que, ano passado, todos os meus desejos foram atendidos. Assim, do jeito deles e não do meu, mas todos. E aí, como a gente convive com isso?
Então como o tempo não existe, alguns deles foram se desenrolar recentemente, como a vinda, finalmente, de alguma empolgação com o trabalho.
Aí tem toda essa coisa metropolitana. Cosmopolita. Houve momentos, nas últimas semanas, em que eu tive aquele desejo de escrever aqui. Um deles, vendo as crianças dançarem. Não sei exatamente por que, mas meus olhos se enchem de lágrimas. Só ali, de ver o esforço, tantas coisas que nos são tão simples, pra eles é um esforço tão tremendo. Minha sobrinha falou, esses dias, que só ela que não sabe falar, e ela só sabe falar não. Aí dá uma dor, um medo, porque o que vem aí é esse nosso mundo e muitas vezes ele é difícil e triste e cruel, e tantas coisas que a gente quer evitar. Mas não sei, aí ela vai cantar e dançar, de repente é o que todos devíamos fazer.
Uma imagem, já há coisa de duas semanas, estrada pra São Paulo, eu realmente gosto da Bandeirantes, de manhãzinha, e a neblina. O sol subindo, a neblina e as árvores, negras, e a neblina branca. Aquilo de por um instante a gente se sentir ao mesmo tempo completo e vazio.
Mas sim, eu dizia que dia desses, conversando com um cara sobre essa história de ter blog ou isso já ser ultrapassado ou ser um recurso adolescente. Eu defendia o espaço e a forma como ele é ocupado por um tanto de gente bacana que tem por aí. Eu acho que é uma forma de expressão legítima, mesmo que seja tosca. Mas não sei, já me fez tanto sentido e tanta falta, e agora nem tanto. Eu gostava, do desabafo e do exercício. Pensava, já ontem ou anteontem, em tentar escrever mais, assim pra mim, tentar contar histórias, mas a verdade é que eu não tenho histórias para contar. O que eu tenho é isso, uns flashes e eu neles, por eles ou para eles.
Fica aqui, então, uma resposta ao chamado. Porque uma das minhas mais antigas lembranças é de chegar atrasada ao colégio e torcer pra ter alguém também atrasado para entrar comigo. Porque o que vale na vida é a gente não se ferrar sozinho.
4 comentários:
Má, parei no meio do texto pra vim comentar porque era urgente - o que é bem ridiculo e egocentrico, pq quando você for ler, vai ler tudo de uma vez e nao vai te fazer diferença eu ter escrito antes ou depois -
Ainda nao superei o reveillon também. 2007 foi o melhor ano da minha vida. Eu era feliz e sabia! E se meus pedidos nao foram atendidos foi apenas porque eu nao soube pedir, e coisas melhores vierem. Bizarro como 2008 tem descido a ladeira.
Mas aí vem o recado do Ceifador né? Precisar deixar algumas cascas e paisagens para trás. Mas é que algumas paisagens pareciam tanto a nossa casa, que dá vontade de construir nelas, se me entende. Mas se são paisagens, podem ser apenas pinturas nos painéis.
obrigada por atender ao chamado.
porque eu também costumava chegar atrasada e porque gosto muito mais dos flashes que você lança nas belas fotografias que tira, do que de qualquer história de contador com alguma moral forçada sem encaixe verdadeiro; ou uma história em que o protagonista se deu bem sem esforço enquanto você na mesma históra se ferra sozinho ajoelhado no milho.
Karma!
Adorei seu post inteiro, mas essa sua última frase vai para a lista (bem curta) de pensamentos que eu realmente sou capaz de concordar... Quanto a não ter a mesma vontade de escrever, se não quer atualizar, não se force. Blog é um troço que a gente deve ter por lazer e não por obrigação. Por mais que eu goste do que vc escreve aqui e até me identifique com algumas coisas, tem momentos em que a gente precisa ser egoísta.
Bjs
Lo, 2008 é ano 1, 2007 era ano 9. Isso não explica tudo?? E ainda tinha um 7, no meio. O próximo ano 9 vai ser 2016, que já é bem mais sem graça. 2009 é 2, mas tem um nove, o que já melhora um pouco a situação; 2010 apesar de ser divisível por 3, também não tem muito charme, é tipo primo pobre. Às vezes, se a gente parar pra pensar, tudo faz sentido!
Karma, acho que vc tem razão, mas tb as coisas às vezes exigem um certo esforço, né? Tentar escrever com alguma constância nem é tão mau quanto ir ao dentista.
E com certeza com concorda com a idéia da companhia no desastre, vide nossos esquemas ultra maquiavélicos pra não sermos deixadas pra trás nas corridas da escola. É o exemplo final do que eu tava falando!!
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