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quarta-feira, 23 de julho de 2008

A próxima

Há pouco, falando com a Deborah, sei lá por que ela falou do Rogério. Sorte que ela foi logo explicando, "de Ouro Preto", então não deu tempo antes do branco se estabelecer para depois a lembrança ressurgir, com aquela intensidade de doer.
Depois de muito caçar na internet, não encontrei o disco do Baden Powell que, afinal, encontrei nos escombros do computador.
Baden.
A luz de Ouro Preto.
A comida.
O vinho.
A música.
Baden.
Aquela saudade e saber que não adianta, o tempo não para nem volta. Aquilo foi ali, naquele momento.
Ainda na viagem anterior, ficamos com vontade de entrar num restaurante com música ao vivo, mas não deu, sei lá por quais motivos, mas dessa entramos e nos apaixonamos. O Rogério foi quem tocou pra gente, assumiu o violão e o cara é um músico fantástico. Tocou muito Baden, ficamos mais ou menos amigos, nos encontramos outras vezes durante a nossa estadia.
Vêm saudade e nostalgia, agora, ouvindo, lembrando da luz. E o tempo não volta, isso pode ser uma verdade tão dolorosa, como corte de papel no dedo, é superficial mas arde muito. Às vezes a gente é só um dedo.
Foste o que tinha de ser?
Na segunda viagem a Ouro Preto.
Engraçado que eu vivo dizendo isso, olhando para trás, na minha vida, acho que todas as coisas bacanas que me aconteceram, aconteceram na segunda vez, com a segunda opção. Escola, vestibular, mestrado, correção, até amigos. Até Ouro Preto.
O que tinha de ser?
Nunca é, né? A gente pode até aceitar que foste, mas nunca o que tinha de ser e, indo, já não importa. O passado pode ser imperativo. Foste.
Chão de estrelas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse "chão de estrelas" foi como finalizar um conto em que a última frase é a definidora de todo o enredo, a traduzir todo o sentido. Vc anda epifânica, hein?
Ah, mas me remeteu à música tbém...Claro...
"a porta do barraco era sem trinco
mas a lua furando nosso zinco
salpicava de estrelas nosso chão
tu pisavas nos astros distraída
sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão."

Queria comentar cada post dos ultimos 20 dias que li em uma meia hora de uma noite, rs, mas a preguiça domina. Mais uma vez. Ah, mas cabe comentar que adorei aquele trem ali, marcador de data!
Besitos besitos.
Deborah.

M. disse...

Linda demais essa música, né? Ai, Baden... violão... rs
Sim, o trem de contar dias! Vc chegou a ver, ali nos links, um trem de contar horas? Adorei, mas não achei jeito de colocar aqui, deve ser a loirice voltando.
Vc sabe que é sempre bem-vinda a comentar, ou também a não comentar, porque se tem uma coisa que eu entendo nessa vida é preguiça. Mas sim, comente, eu gosto!