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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Régua e compasso

Tava aqui cantarolando a música do Gil, repetindo à exaustão um verso, como normalmente acontece quando uma música gruda na nossa cabeça.
"A Bahia já me deu régua e compasso".
Eu cantava, adolescente, tão embevecida esse verso, em específico, pensando "pô, é mesmo, né? Na vida a gente não precisa mais que régua e compasso pra ir em frente", numas hippie-lesado ou Luciano-Huck-insuportável "saúde-é-que-importa-o-resto-a-gente-corre-atrás".
Aí numa onda autodepreciativa - como sempre, mas eu tenho um quê por essa coisa mau humorada e já dizia a Fernanda Young, ou um de seus personagens, que pessoas de bom senso não podem ter boa auto estima - eu pensava: "porra, mas que régua e compasso, eu tenho mais é um toquinho torto e um lápis preso numa cordinha - sabem como é, que a gente aprende a fazer na escola pra desenhar um círculo toscão? -, precisava mais era de um astrolábio - instrumento que eu não faço idéia de como é nem como funciona, pra que serve também me é um tanto quanto nebuloso, acho que no fundo ninguém sabe mas todo mundo finge pra deixar o professor de história pesudo-contente - de bússola, gps (com manual de instruções e personal-ensinador-de-gps, como tem agora pra celular hightech, embutidos). E de repente nascer de novo pra ver se incorporo de série um senso básico de direção, conseguindo então fazer alguma idéia de como achar pontos cardeais e o que fazer com eles, se tenho a sorte de me cair um mapa nas mãos e, caindo, portanto, saber o que diabos fazer com ele."

2 comentários:

Anônimo disse...

"...pessoas de bom senso não podem ter boa auto estima..."
Esse post tá muito engraçado e essa frase é genial!
D.

M. disse...

Fernanda Young, D., é só o que eu posso dizer. Fernanda Young.