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domingo, 24 de maio de 2009

Ser, não ser, não saber.

Eu vindo logar, de repente a HBO anuncia um show do R.E.M. tocando Loosing my religion. Essa música tem mesmo alguma coisa assim mágica, né?
Mas eu vinha falar... bem, me esqueci do que vinha falar.
Exceto que lembro de ter pensado mais cedo em registrar aqui que tive um sonho hoje com uma pessoa que há muito eu não vejo nem sonho, e que há muito as lembranças trazem só um amargor, e no sonho ela era ela, e as coisas ruins, apesar de ainda estarem lá, eram um pouco deixadas de lados com risadas. Estávamos em Ouro Preto, mas era uma cidade diferente, acho que já sonhei com essa cidade antes, ela fica na beira do mar e eu procurava um restaurante e tinha que pegar um trem. Mas dessa vez, apesar de ser o mesmo lugar, eu só lembro disso, de de fato estar num restaurante, em que essa figura trabalhava, aí tinha eu e um cara meio nojento que a pessoa insinuava que eu tava namorando, aí eu dizia que era trabalho, e a gente dava um calote em alguém, e acabávamos rindo. Incrível isso dos sonhos não fazerem mesmo o menor sentido. Começando por Ouro Preto na praia.
Aí que eu sigo lendo o Cortázar e a personagem de que eu mais gosto é a Maga, muito provavelmente pelo nome, mas não posso dizer que me identifico com ela, porque ela parece ser deveras extraordinária; acho que é só porque eu não consigo entender metade das coisas que o cara tá falando. Sem o contraponto de ser extraordinádia.
Às vezes me incomoda o pensamento de que não adianta nada eu ler esses livros, porque realmente não consigo entender. Aí me acho meio burra, mas ignoro continuo lendo, e tem umas partes que eu acho que não entendo e gosto, e depois acho que penso a mesma coisa, o que é o cúmulo da estupidez, já que eu não entendi. Mas fui marcando uma página ou outra e mais tarde venho colocar aqui, talvez. Se ainda me parecer interessante, ou compreensível, ou eu.
Mas que idiotice isso de ficar se procurando no mundo, né?
Eu achei também que tinha aprendido alguma coisa, mas também duvido.
Esses dias me disseram: "nossa, mas tudo que você fala, imediatamente depois você vem e fala o oposto." E eu: "é..." E ele: "ah, você já tinha reparado?" e eu "já"; quando na verdade a resposta correta devia ter sido "meu, você está falando comigo há o quê?, vinte segundos?! Eu convivo comigo há o quê?, 26 anos, percebe?, claro que eu já reparei!", mas só pensei nisso depois, no carro.
Mas isso de aprender, eu às vezes duvido. Os últimos dias têm sido meio difíceis e bastante saudosos, enquanto eu tento encarar o velho hábito - ou defeito - de não aceitar que o mundo seja diferente do que eu gostaria. As pessoas e tudo. Aí pelos instantes em que eu aceito, parece que fica tudo bem, mas depois eu volto atrás, desaceito, e pronto.
Sempre isso, de ir e voltar. Eu vou e volto e de vez em quando me canso. De vez em quando, leia-se: sempre. Eu, pessoa de tantas certezas e absolutos, que não consegue se manter num determinado estado, ou com uma determinada idéia, por mais do que cinco segundos. Porque eu quase diria que as peças se encaixam, mas só quase, porque sei que não demora nada e elas voltam a se embaralhar. Foi mesmo o Cortázar que falou do caleidoscópio e de nunca formar a imagem perfeita? Se sim, falava da Maga. E apesar de andar na onda pernambucana de cortar os artigos, me agrada imensamente ouvier/ver falar "a Maga".
E sem ser extraordinária, olha ali como eu assino.
Eita, que essa vida, e essa garota, é besta demais.