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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Uma ilha no meio do mar

Sento para escrever, assim num começo de tarde de segunda-feira, e percebo a luz caindo, o céu pretejando, o vento que derruba roupas do varal e parece querer levar consigo as folhas das árvores. A tempestade que chega, baixando a temperatura e lavando... tudo.
Na minha casa tem árvores.
Tentei, semana passada, entrar no blog de uma amiga, mas ele já não existe. Se morto ou só de licença, é coisa que não se pode saber, mas o fato é que ali estava o último bastião de um tempo, a única voz que, como a minha, lançava gritos ao mundo, pedindo... pedindo o quê? Agora ele já não grita.
Não que não haja outros - até bons - blogs por aí, mas dos que me acompanharam por toda essa história cibernética, sempre presente, restava ela.
Aí, não é, amiga?, até conversamos sobre isso e eu fiquei pensando. No por que escrever.
Até um tempo atrás... bem, no começo dos - meus - tempos, eu era contra esse negócio de contador, de saber quem entra e por que entra. Mais do que isso, quem não entra. Depois, numa onda de curiosidade incontrolável, adicionei um desses contadores invisíveis, com a promessa de não ficar obcecada e checar os números, digamos, uma vez por semana.
A gente se engana tanto nessa vida, né?
Eu já falei aqui sobre isso, os motivos, acho que tem uma coisa de desabafo, sim, mas para isso não se precisaria publicar na internet; um papel ou um Word bastariam. Acho que publicamos porque queremos, sim, um afago, ou alguém dizendo que o que a gente diz importa, que somos amados, aceitos, admirados. Acho que é inevitável publicar para os outros. Outros conhecidos ou não; eu pelo menos sempre tive alguma esperança de que alguém chegasse ao meu blog por um acaso e nele fincasse o pé. Porque eu já fui de fazer isso, nos dos outros, já quis e busquei, apesar de fazer já muito tempo que não me interessa.
Acho que durante muito tempo, pensei em mim mesma como uma espécie de farol, lançando uma luz até tênue pelos mares, esperando guiar alguém em segurança à terra. Minha terra, e minha luz, que talvez não chegue para ninguém mais além de mim mesma. Ou, chegando, não seja suficiente para resgatar, porque a verdade é que a gente não pode salvar ninguém nesse mundo, além de nós mesmos. E ainda temos que lutar contra esse inimigo, nós mesmos, que cisma em puxar nosso pé, ou agarrar o nosso pescoço, enquanto a gente tenta salvá-lo; aí temos que fazer como ensinavam os salva-vidas de SOS Malibu - aqueles mesmos, dos maiôs vermelhos -: dar uma pancada no afogado, deixá-lo inconsciente, enquanto o agarramos por trás e puxamos para a areia. Porque, se não, o imbecil se afoga e leva a gente junto. De desespero.
Eu, luz, palavras.
Concordo com a Amiga que é um tanto frustrante a gente vir aqui, escrever, e ninguém ver. Ir acompanhando todos os dias, e não ver nunca ninguém. Gritar e gritar e só ouvir em resposta silêncio, ou o eco da nossa própria voz, ela também desesperada.
Quase tem uma parte de mim que pensa em fechar mais esse espaço. Quase. Porque ele chama "Errar sem fim", e o que é errar se não um ato solitário? E só por só, opto pela verdade e crueza da falta de resposta. Aceito permanecer aqui, continuar gritando, continuar girando minha luz, sem mais me preocupar com quem vê. Continuo gritando por mim, para me encontrar, me guiar para a terra, talvez por gostar do som da minha voz. Fico com Lenine e Bráulio Tavares, eu agora ouvindo, sem dizer, do povo que no céu batizava as estrelas ao sul do Equador. Sigo ouvindo a chuva que cai agora em grandes gotas.
E você, que porventura caiu aqui, procurando por mim ou por qualquer outra coisa, deixo a você a decisão do que fazer. Volte, se quiser. Ou não. Eu não vou saber. Recolho o lampião para iluminar apenas o meu caminho, sinta-se à vontade para segui-lo ou não, de perto, de longe, como quiser.
Eu, nesse momento, mais uma vez parto, atrás do porto para quem procurava o país onde o sol vai se pôr.
Boa sorte. E silêncio.

Um comentário:

Renata Amaral disse...

má,
a leitura é silenciosa e a escrita é ruidosa, hahaha!
leve em conta que você pode estar na companhia de leitores silenciosos.

beijo,