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sexta-feira, 29 de maio de 2009

P.S.

É incrível a nossa - ou pelo menos minha - habilidade em saber das coisas não sabendo. Ou então perceber assim de repente uma coisa que a gente - ou eu - já sabia. Ou esperava, até se preparava.
Acho que é porque às vezes a gente sabe das coisas sem prestar muita atenção, sem procurar um significado maior, que às vezes nem está escondido nas profundezas, mas a gente tem que arranhar um tantinho a superfície para ver.
Ou é como aquelas coisas que o nosso cérebro percebe antes da gente, tipos sentir vontade de comer chocolate e depois perceber que tinha visto uma barrinha em algum lugar, ou começar a cantarolar alguma coisa que alguém estava cantarolando do seu lado e parar no meio e pensar "nossa, de onde veio essa música?!".
Eu me lembro de ser criança e começar a estranhar os nomes das coisas. Lembro de ser criança e dizer panela, panela, panela, panelapaneapanelçaplanela, panela, panela, panlea, até não fazer mais sentido e eu não saber o que significava.
E tem tanta coisa tão importante acontecendo por aí, com a gente ou com outros, e a gente vai passando batido, sem se dar conta, até que, por algum motivo, começamos a repetir, e se não vem um significado, vem ao menos a percepção. De que é, deveras, importante. Ou que significa alguma coisa.

Não sei, saio daqui para o google, procurando alguma coisa, talvez uma referência, mas essa alguma coisa se perdeu. Ou não se achou. Nesse imenso espaço que já trouxe - ou espera-se que traga - tanto encontro, eu vou e volto sozinha.

Ontem assisti a um filme que me fez chorar ininterruptamente por duas horas. Minha irmã me disse, em outra vida, para ver, e eu sempre fugi, até ontem. Ininterruptamente, até perceber que estava chorando baixinho e, oras, não tinha ninguém do lado.
Terminei com dor de cabeça.