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domingo, 22 de agosto de 2010

Aleluia

Sim, dessa vez em Agosto.
Chegaram neste final de semana aqueles bichinhos que anunciam o fim do inverno.
Eu sei, eu sei, nós aqui não temos inverno, mas frente-fria ou não, mas ainda assim. Mesmo sem frente e mesmo com o forte calor que esquenta nossos dias, as noites são mesmo frias. Talvez não realmente frias, mas ainda exigem casacos e cachecóis e etc.
Mas quando chegam, os tais bichinhos - diz o Aurélio serem cupins, "que abandonam o ninho no vôo nupcial", olha que coisa incrível de se imaginar insetos fazendo: a cupim de vestidinho e branco e talz, andando virginalmente por uma igreja, onde a espera o cupim de fraque - vêm dizer que logo logo vai esquentar a sério. E as noites serão agradáveis, por um tempo, com brisa fresca, às vezes algo fria; e depois serão quentes, até difíceis, noites de verão.
Como é doce o tempo que não é.
Eu sinto agora falta do calor como sei, com essas certezas inabaláveis nascidas da experiência, que sentirei, então, falta do frio. O tempo que virá ganha sempre do que está, porque o ideal é perfeito, ?
Mas eu tenho tentado, daqui, aproveitar mesmo o que é. Aproveitar as noites frias pesadas de cobertas e as bebidas quentes ou encorpadas e as comidas pesadas e as roupas de lã e em camadas e o vento que faz barulho na minha janela.
Não consigo, porém, evitar de ansiar por noites mais leves, de menos roupas e uma maior disposição que, afinal, talvez não exista.
E eu sei que já escrevi talvez exatamente as mesmas coisas aqui. É só que tenho me dado conta, ultimamente, da minha relação absurda com o tempo; isso de ele ir e ficar e de passar e tantas e tantas coisas mudarem e tantas outras permanecerem iguais.
Acho que tenho mesmo essa relação algo autista com o mundo, como fui acusada de ter recentemente - e, pensando assim, acredito me diferenciar do normal das pessoas.
Sendo igual ou diferente, penso que as coisas ficam demais para mim e pareço então viver num mundo que já não é, enquanto eu ainda sou.
Eu sou ainda, o resto não mais.
A questão que fica é se é possível viver na incongruência ou se eu terei de avançar, ou o resto terá de regressar, ou nos encontraremos no meio do caminho.
Talvez também eu anuncie o fim do inverno e a chegada da primavera em mim. E, como as aleluias, possa afinal sair.

Um comentário:

Loy disse...

escrevi sobre elas hoje também, lembrando e citando você. Mas não tinha visto que você tinha lembrado delas já neste ano.