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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sem jeito

Nem por nada, mas é só que eu sou tão tão besta.
Tenho sido a vida toda, desde que posso lembrar.
A gente acha, ou eu achei, que chega um momento em que isso para, mas eu me vejo aqui, do alto dos meus vinte e sete anos e meio de vida e pronto. Mesmíssima coisa.
A gente acha que vai saber melhor, com o passar do tempo, mas desconfio que acontece da gente saber menos.
Toda aquela coisa de só a mais pífia juventude poder se achar velha e sábia. Só mesmo o cúmulo da ignorância para achar que sabe alguma coisa e eu confesso que, muitas vezes, acho.
Acho que sei mais e melhor, quando consigo pensar na minha vida e na minha história, com plena consciência, em termos de dez ou quinze anos atrás. Pensar num livro que li e fazer as contas e achar que pode fazer quase vinte anos. Saber que há dez me formava no colegial. Há quase isso começava a dirigir. Isso do tempo passar e ir aumentando a distância entre a memória e o presente.
Então muitas vezes subo no pedestal e, ali de cima, normalmente sei que tudo ali, eu e meu olhar, não passa de uma farsa. Tenho até a humildade de me referir a ele com alguma ironia, dizendo as maiores verdades "do alto dos meus vinte e sete anos". E quando me acontece de dar lições de vida e bom comportamento por aí, tenho o bom senso de admitir que não sei do que estou falando, apesar de falar e infligir às palavras a maior propriedade.
Esse estado inerentemente contraditório da existência, que às vezes nos exaspera e tira o sentido das coisas e, noutras, parece ser a graça de tudo.
É só que eu me acho adulta e falo toda impostada quando na verdade sou é criança e criança besta.
Sou, agora, e pode ser que daqui a um nada não seja mais. Por outro lado, se sou ainda talvez seja sempre.
Talvez eu volte em mais vinte e sete anos e meio com um veredito e então saiba alguma coisa de verdade. Até lá, sei com certeza - juvenil ou não - que sou besta e sem jeito.

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