Diz o relógio, ou sei lá quem que na verdade guarda o tempo, que já é 8 de agosto.
8 de agosto já não significa que o ano acabou? Já passou da metade, aí pra chegar natal e todo o resto é um pulo e eu, que não guardo nada, perdi totalmente a noção dos dias.
Sempre me irrita essa história de "nossa, como esse ano passou rápido" porque todos os anos passam rápido e a gente não cansa de se surpreender com isso. E tem todo o resto, né? De que, durante, parecia que ia devagar mas de repente acabou.
E se você é um otimista, foi um ano fantástico.
Se é um pessimista, ou apenas ligeiramente dramático, foi o pior da sua vida.
Aí depois começa aquela baboseira toda dos planos, como se o próximo fosse ser diferente, mas ele também vai parecer devagar, terminar de repente e ser lindo ou terrível.
Mas ele vai, foi e sei lá.
Inventei hoje de sair de casa e foi um erro. Onda consumista e aquilo tudo, somado ao fato de a frente fria ter partido e a tarde ter sido mesmo quente.
E as pessoas, olhava para elas nas ruas e mesmo as odiava. Desse ódio que só pode ser impessoal, porque à distância a gente não tem que reconhecer motivos e passados e lados bons nem nada, não tem que reconhecer e se preocupar com o sentimentos das pessoas e podemos com mais facilidade ser pura e simplesmente levianos.
Mesmo assim, ele traz consigo alguma culpa que nos faz querer apagar a palavra e matizar o sentimento com um "detestar" ou "desgostar" ou "incomodar". Seja por reconhecer que talvez elas não fossem assim tão más, ou que nós não sejamos assim tão maus, ou que há aí algum exagero, ou um "o que vão pensar de mim se eu disser isso" qualquer. Mas hoje escolhemos ficar do lado negro e deixámo-la aí.
Acho muita graça nisso da gente sentir esse amor universal pela humanidade e detestá-la na mesma medida. Amar o povo à distância, já tanta gente não falou sobre isso?
Minha contribuição em não tornar esse mundo uma merda maior do que já é está em admitir que o problema sou eu. Sei lá se as pessoas são amáveis ou não, mas também não me interesso em saber porque sou, afinal, anti-social. Fico pensando, em momentos assim, que devia ir morar na roça, sem vizinhos nem ninguém por perto, para poder ficar sozinha e não detestar ninguém, ignorando algo conscientemente que então sempre poderei me odiar. O x da questão é sempre a gente, né não?
Mas eu também gosto muito das pessoas, quando estou no clima de apreciá-las e quando elas fazem coisas bonitas, quando torcem ou rezam ou cantam juntas.
Esses dias fui levar a sobrinha para a escola, uma nova escola, uma - algo - grande escola e não sei. Deixei-a sozinha ali na sala e ela ficou, porque ela é de ficar. Criança corajosa, a sobrinha. Nova escola sem manha, sem reclamar, sem querer colo, sem querer ir embora. Ela vai e encara, do jeito dela que é, de começo, silencioso. Arregala os olhos castanhos e fica em silêncio e só olha e depois não diz a ninguém o que viu, pensou ou sentiu. Encara em silêncio e eu acho admirável, porque eu velha sou de choramingar e fazer birra e não querer ir e pedir socorro.
Deixei-a sozinha na sala e ela ficou e foi, chamada por uma garotinha como eu também fui um dia, quando já era muito maior.
Quando saía, olhei pela janela e ela estava lá, com as outras crianças naquele barulho enorme, ainda em silêncio, ainda olhando e não parecendo estar bem nem mal, parecendo estar ali decidindo.
Também eu calei. Mas, por um instante, amei ali aquelas pessoas que não faziam nada de especial, só eram como podiam ser e faziam o que podiam fazer e, sendo ainda tão pequenas, faziam e eram mais do que estamos acostumados a ver.
Tão opostas as minhas reações às mesmas banalidades e ambas também tão sem importância, na ordem do dia.
É só que hoje eu fui atacada pela fobia social e não achei grande consolo em saber que há por aí outros que a partilham comigo. Talvez achasse, se pudesse amaldiçoar com eles.
Mas é já 8 de agosto e nosso tempo passou.
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