Os últimos dias foram nublados no verão tropical e hoje o dia amanheceu ventoso e frio, precipitadamente outonal.
Por isso ou pela leitura difícil que vinha fazendo desde ontem ou pelo tanto de trabalho que se acumula à minha frente e eu não sei como dar conta, passei as horas meio em desânimo. Acordei cedo e comecei a trabalhar, diminuí o ritmo e fui para a universidade, acompanhar o curso de que sou monitora.
O tema da aula era algo alheio aos meus interesses imediatos e, pra ser bastante sincera, à minha plena compreensão. Política. Macro. Governantes e Partidos e Ministérios, muitas maiúsculas e muitos nomes a mim desconhecidos e muitas datas que eu talvez até já tenha conhecido, mas que me fugiram da memória junto de tantas outras coisas que daqui partiram.
No entanto, pela qualidade da política discutida, ou pela ênfase social a ela dada, ali, em meio ao enfado e à confusão, está a história.
Que eu escolhi e por quem sou apaixonada, quando lembro.
Não sempre, porque reina aqui a inconstância, mas às vezes acontece de eu saber o porquê de eu fazer o que faço.
Ela é relevante, discutimos ali temas que eu acho relevantes, que dizem respeito a quem somos e como chegamos aqui. E, principalmente, aos tropeços do caminho. Ao tanto de coisa que eu acho absurdamente erradas que me rodeiam e eu me sinto um pouco melhor porque olho pra elas, hoje mas principalmente ontem, e também eu faço a história.
De gente miúda e desimportante, aos olhos das maiúsculas anteriormente citadas. E gente, Gente, que viveu ali sua vida como eu vivo a minha, com toneladas de peso sobre o ombro, que eu desconheço.
Não as resgato, que elas não são resgatáveis, nem sou eu pescadora para fisgá-las, nem sou eu quase nada para dizer delas qualquer coisa. Eu, porém, as procuro, as encontro através de janelas com camadas e camadas de cortinas que turvejam minha visão, enquanto eu aperto os olhos e tento ver.
Gosto do que isso diz sobre mim, egoísta que sou.
E tento dar o melhor de mim para contar da melhor forma possível o que entrevejo.
Porque miúdos e desimportantes, afinal, todos somos.
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