Eu às vezes penso no que leva uma pessoa a ter sucesso.
Ontem, assistindo à Fernanda Young, que eu absolutamente adoro, ela dizia que... ok, claro que eu não me lembro exatamente, mas algo como que Deus é, ou foi, generoso com ela, assim no sentido de tratá-la melhor do que à maioria das pessoas. Eu me lembro de vê-la dizer, no Saia Justa, que fez supletivo noturno, no colegial, e foi expulsa de uma escola, ou algo assim. Aí ela se transforma numa escritora de sucesso. Acho essa teoria de uma ajuda externa muito sedutora, porque talento é necessário, mas não só.
Aí eu fiquei pensando nisso, de as pessoas serem ambiciosas e conseguirem da vida o que querem. Acho que isso é mais um mito do que uma realidade, essa lenda da pessoa persistente e dedicada e sei lá o que mais, que consegue tudo. Eu até compro que ela consiga tudo que depende dela conseguir, mas ainda vivemos num mundo cheio de gente que, feliz ou infelizmente, vive metendo o bedelho na nossa vida [Eu agora paro e me pergunto: mas que diabo é bedelho?!] e limitando nossas ações.
Aí eu não sei, nunca pensei em mim como uma pessoa ambiciosa, apesar de ser mimada. Sei o que eu quero da minha vida, em termos gerais, e não acho nada muito absurdo, tipo ser milionária ou casar com o Brad Pitt. Mas eu acho que eu tenho uma coisa, e conheço algumas pessoas que não têm ou que não me mostram, mas eu tenho fome.
Sabe fome? Não é só vontade ou querer, não é uma coisa morna, é quente e voraz. E é uma característica que eu gosto de ver nas pessoas, que elas têm sangue, que dão sangue, em vez de esperar o tempo passar, simplesmente. Acho diferente de garra, ou mesmo ambição, porque é mais sutil. Tem gente por aí que é muito lutadora e dedicada, que consegue mesmo conquistar coisas impressionantes.
Mas eu acho que a fome transparece no jeito de falar, aquela coisa meio italiana, de falar alto, com convicção, mesmo sabendo que a gente não sabe nada, uma irritação meio comprometida com o que se acha certo.
Eu tava pensando nisso, em mim, e cheguei a essa conclusão. É muito diferente de dizer que eu consigo tudo que eu quero, muito diferente mesmo, eu que às vezes não consigo parar de ver um programa ruim na televisão pra ir dormir e não me odiar na manhã seguinte. Mas é fato que em alguns momentos eu senti uma vontade forte o suficiente pra me mexer e mais, fazer outros se mexerem. E é triste pensar que isso não volta, que o movimento não repercute em mim, que o outro não vai se mexer e esbarrar em mim e me fazer sair da órbita pra fazer alguma coisa que eu digo querer fazer. É uma falta de confiança na vontade alheia, e é triste porque é verdadeira. Não que eu admitisse isso publicamente, se me perguntassem, mas ela existe.
Só que, pensando bem, tudo bem as pessoas serem diferentes de mim, eu costumo esquecer isso. E cada um com seu cada um, que faça o que quer fazer e eu não tenho nada a ver com isso. Mas eu sei que eu tenho fome, sei o que isso já me trouxe de bom e o tanto que isso já me empurrou. Então eu vou ali, comer uma tortinha de limão e, como bola de boliche, talvez eu esbarre em alguma coisa e isso me valha alguma recompensa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário