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terça-feira, 15 de abril de 2008

Prazer, Doralice

Uma cena de abertura de Comédias da Vida Privada, um dos meus programas de TV favoritos de todos os tempos, com episódios clássicos, entre eles o meu favorito de todos os tempos, todinho ele decorado e citado religiosamente, todos os dias da minha vida, se não para alguma cara desentendida, para mim mesma.
A cena de abertura é de um outro episódio, em que o Nanini perde a memória. Começa com ele e um amigo - que depois descobriríamos ser o Rei Roberto Carlos (sim, o cantor, não o jogador de futebol) - num trem, cantando uma versão de uma música dos Beatles que diz, literalmente: "Do-o-o-ralice" e seguia com algum outro verso que eu não lembro, mas me parece que dizia algo assim "juro, nunca vi coisa tão triste".
A mente é mesmo impressionante, porque eu primeiro coloquei o título do post, depois foi que pensei na música, e agora tá parecendo mesmo que eu, me apresentando como Doralice, me afirmo como coisa mais triste do mundo. Admito, entretanto, que em algum momento dos últimos... doze dias, saiu de meus lábios a seguinte frase: é uma dor que não cabe no mundo.
Eu gosto muito de posts de estréia e isso já me causou antes algum problema. Porque, veja bem, o primeiro post é sempre uma coisa que eu leio quando caio por acidente em um blog e define se eu quero continuar lendo ou não; gosto de ver ali a explicação do nome, ou do motivo que levou a pessoa a querer dizer alguma coisa - pra ninguém ler, ou uma ou duas pessoas lerem, e isso não fazer grande diferença na vida de ninguém. Exceto que faz diferença, alguma, e em alguns casos, como o meu, muita.
E então, a que eu vim?
Não sei, mas sei que vim errando.
Assim, meio estabanadamente, como é de praxe, mas aqui estou.
Esses dias, noite, aliás, uma das mais bacanas que vivi nos últimos tempos, entre outras coisas maiores e mais bonitas e mais emocionantes, ouvi uma menor, uma batida familiar, depois o reconhecimento de uma música do Zé Ramalho, em que ele diz "que eu não vim de longe para me enganar". E me lembrei do quanto eu ouvia essa música e colocava nessa frase uma força, dizia com a boca cheia, talvez lágrimas nos olhos, como também é praxe, e percebi que há muito tempo eu não pensava nisso. Eu não vim de longe para me enganar.
Também não sei o que isso significa, mas me pareceu bem.
O caminho que me trouxe eu certamente revelarei em uma noite de bebedeira e bode, em que chegarei em casa com uma dor que não cabe no mundo e, na impossibilidade de falar a quem é de direito, virei aqui a esse espaço, maldizendo e lamentando, e escreverei.
Por enquanto, eu prometo solenemente não usar muitas exclamações e cometer tão poucos erros de português quantos me forem possíveis (ou impossíveis de escapar, em minha vasta ignorância). Vale o aviso de que nos últimos meses, digamos desde o começo deste 2008º ano, eu descambei a falar e escrever errado, mas na fala a gente disfarça melhor. Quando a desculpa for fácil, favor assumir que foi erro de digitação. Nos casos mesmo de erro cra...sso, peço desculpas adiantadas.
Começo, assim, o errar.

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