Esses dias, no carro, ouvi na rádio Índios. Eu gostava tanto dessa música, lembro de ouvir com o Fer, na primeira casa dele em Jundiaí, e como eu gostava daquela introdução, e a gente tentava fazer no teclado. E eu queria tanto aprender a tocar. Hoje eu já não acho Legião tão genial quanto eu achava, talvez tenha encontrado coisas que mexem mais comigo, ou por serem mais sofisticadas ou por eu estar menos acostumadas a elas. Ainda assim, eu paro para ouvi-los, quando eles surgem. Ontem foi Vento no Litoral, junto com a Cássia Eller, mas confesso que eu não enfrentei, não. Será que essa música tem mesmo uma dor dentro dela, que sai e causa um mal-estar, ou sou eu? Eu me lembro de ouvi-la na praia, um inverno, tanto, e eu tinha querido tanto estar ali, e eu tinha criado na minha mente um filme estrambólico, totalmente non-sense e fora da realidade, mas que eu queria e gostava e sofria por não ter. Eu já disse, em outras oportunidades, que tenho algum medo do tempo. Isso das coisas passarem, como eu sei que passam, dá a sensação de que nada tem realmente importância, e embora isso seja um bom pensamento quando estamos sofrendo, também é muito triste imaginar que o motivo de tanto sentir hoje amanhã o será só de risadas embaraçadas ou, pior, silêncio.
Mas eu falava de Índios. "É só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi". Engraçado, eu fui buscar no Idiotia, achando que já escrevi esse verso, mas não. No lugar, encontrei dezenas de outras vezes em que falei de vício. O que eu queria falar era isso, hoje, mais cedo, fui ali, nessa eterna onda de perseguição, e li uns posts tão antigos, e me deu uma saudade, imensa, daquela época, em que eu fervilhava para dizer. E é tanta coisa escrita ali, mesmo muita, e desde sempre, embora não há algum tempo, eu gostei de voltar e reler, redescobrir, tentar lembrar do que eu falava e não conseguir. Agora me emocionei porque vi um comentário à Jasmim, e deu outra saudade, e do meu cabelo muito muito comprido. Estou oficialmente deixando crescer de novo, apesar de curtir a onda presilhinhas. Uma parte de mim pensou: ok, eu já tenho ali coisa pra ler por bastante tempo, aleatoriamente. E outra pensou que queria que eu continuasse tendo, no futuro, e pra isso eu tenho que escrever agora.
Eu agora sinto tantas saudades. Avassaladoras, de sair pelos poros e tomar tudo e apertar o coração e tentar escapar, se lançar na busca. Mas é tanto do que eu não vi. Isso é muito foda, perder o sonho. Tanto que eu queria dizer e fazer e viver, pensei e planejei; ontem no oftalmologista eu fui marcar um retorno, pra junho, e doeu pensar que eu vou, sim, estar aqui em junho. Recorri à balela do "ah, qualquer coisa eu desmarco", mas eu sei que é balela.
Eu até tinha umas coisinhas pra contar, de sonhos doidões ou irritações cotidianas, ou do carro que eu vi que não tinha retrovisor, mas tudo bem. Fica de reserva, pra outra hora, ou se perde assim, em meio às coisas que perdemos que nos perdem todos os dias.
Quem me dera, ao menos uma vez.
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