Era assim que eu cantava a música do Paulinho da Viola. Música tema, né, poderia ser? Se estivesse certo. O dele é amante.
O meu também.
"Canto pra dizer que no meu coração já não mais se agitam as ondas de uma paixão, ele não é mais abrigo de amores perdidos, é um lago mais tranquilo onde a dor não tem razão..." Quem que não queria, né não?
Nem conheço tudo dele, nem sou fã ardorosa, mas, ao assisti-lo ao vivo, emanando simpatia e tranquilidade, fiquei pensando em como eu gosto de samba.
Gosto, claro, de muita coisa, mas gosto também tanto de samba. Nem nada, só sentar e ouvir e cantarolar. Acho um estilo de música tão encantador, que pode suscitar paixões e fazer a gente (leia-se as pessoas, que o pouco samba que eu já tive no pé deve ter caído pelo caminho num desses tropeços da vida) enlouquecer dançando, ou cantar gritando, ou só sentar e balançar de levinho pra lá e pra cá.
Sinto cá dentro um orgulho desse povo que inventou isso e faz isso cotidianamente e quase acho que faço parte dele por ser, também, daqui. Desse mundo que chama Brasil e que não existe e existe, que foi inventado e é mentira, ao qual a gente pertence sem pertencer. Ahh, História, o que fizesse comigo?
Às vezes, chego até a pertencer. Não por participar diretamente, mas por conhecer e conviver e reconhecer e gostar.
Que coisa maluca é essa que a música faz com a gente? Chega dá um sentido pra vida, mesmo que momentâneo, efêmero e volátil. Ela, também, a vida, não pode ser assim descrita?
Mas ouvi-lo cantar o amor no Recife não faz alguma coisa com a gente? Tão logo a noite acabe, tão logo este tempo passe...
Não conheço, não sei, mas, de algum modo, sou. Ou quero ser, ou sou um pouco só às vezes, até não ser mais.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Meu coração errante...
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