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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Perfeição

Já estou meio de saco cheio desse clima pseudo-tropical.
Ok, a gente aqui não tem estações tão definidas, mas isso de ficar um dia empacotado e no outro desidratar não tá rolando. Uma semana de verão, outra de inverno e a seguinte de novo verão é a tônica desse interior de São Paulo, nos últimos tempos.
Essa tarde, enquanto saía pela cidade cumprindo obrigações, torrando no sol inclemente, senti uma vontade absurda de mar. Tudo não sei se daria, mas dava era muito para hoje dar um mergulho nas águas de Iemanjá. Ouvia, ainda, Bethânia cantando seus nomes, chamando e levando, naquele balanço tão envolvente e doce como dizia Caymmi.
Tenho essa crença de que é impossível as pessoas reconhecerem cotidianamente a beleza do lugar onde vivem; acho que depois de um tempo a beleza é banalizada e não causa aquela admiração inicial do estranho, do incomum. Pode ser que haja exceções, até acredito que existam, mas eu não sei se seria uma delas. Andei sentindo muita vontade de um quiosque ou um bar à beira mar, com aquela brisa de maresia, um sol poente, um começo de noite, uma felicidade, em resumo, que está ali adiante, sempre tão inalcançável. Que está também aqui, ou poderia estar, se não faltasse sempre alguma coisa.
Hoje, pra mim, faltou um mergulho em águas geladas, um secar-se ao sol, espreguiçar-se e tomar uma caipirinha do Tadeu, enquanto Lenine canta um samba ali ao lado, de olhos fechados, balançando pra lá e pra cá.
Deu aqui uma overdose de açúcar, que foi bom até ficar ruim.
Sempre assim, né?

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