Ontem passou na televisão o primeiro filme que eu vi com a Natalie Portman, não me lembro do nome em português, o original é Where the heart is, a tradução deve ser algo como Onde mora o coração. Ela faz uma adolescente grávida abandonada pelo namorado em uma Wal-Mart, aí ela fica morando na loja um tempo, até o bebê nascer e depois tem que se virar sem grana nem formação, numa dessas cidadezinhas americanas que a gente não sabe se existem. Eu gosto muito do filme, acho que tem um ar diferente, alguma coisa que foge do clichê e o torna leve e bonito. Algo como o Garden State, que eu amo, isso de alcançar uma profundidade sem grande peso - ou talvez eu devesse dizer chatice.
Tudo no mundo é tão uma rede.
Hoje quase que eu não levanto, de manhã. Quase. Aí eu pensei na voz me dizendo "ok, deixa eu ver, eu agora tô aqui, sentada nessa cadeira...", e pensei "ok, eu tô aqui, deitada na minha cama, com sono e o familiar aperto no peito, e eu até poderia ficar aqui, mas a verdade é que eu não posso, tenho trabalho a fazer, trabalho a fazer, trabalho a..." A verdade é que a gente não pode ficar largado na cama, né? Quer dizer, pode, mas também não é uma opção.
Eu tenho dito isso a quem me pergunta se eu acho que eu fiz uma boa opção: não foi uma opção, porque opção é quando a gente tem escolha e eu não tive escolha, porque ficar morrendo pra mim não é uma opção válida. Isso de me destruir e esperar que o último a sair apague as luzes. Eu saio correndo mesmo e deixo as luzes acesas. Então a gente não pode ficar largado na cama.
Surpreendentemente, deu certo abandonar a auto-comiseração e botar a cara no mundo; depois de ficar duas horas dopadinha, super li cinquenta páginas, e ainda copiando.
Eu dizia, já há algumas semanas, que ando sentindo tão pouco prazer nas coisas que a única coisa que me dava prazer era justamente o que ordinariamente não me dá prazer: cumprir minhas obrigações e depois parar e apreciar a sensação de dever cumprido (ok, também comprido).
Assim, caiu a noite, o calor diminuiu, eu me obriguei a ficar acordada para não perder a noite em insônia, mas já é madrugada e eu estou aqui, ainda com aperto no peito.
Então me obrigo novamente a cumprir uma nova obrigação, vir aqui e vomitar, mais contente com as unhas feitas, e espero que venha alguma compensação.
2 comentários:
sempre bom cumprir o comprido dever.
e se as unhas estiverem vermelhas, parece que é ainda mais gratificante.
você me deu uma boa idéia para hoje à tarde ou amanhã de manhã.
(pq de vez em quando eu ainda me permito ficar largada na cama e super ler 50 paginas é algo que tem cerca de 2 meses que não faço.)
(o que, tem horas, me deixa com dúvidas a respeito da minha própria recuperaçãp)
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