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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Morte

Há alguns minutos - ok, horas - esse texto teria saído muito mais sangue, suor e lágrimas.
O olho do furacão, no entanto, já passou.
Meu saco foi parar na lua e -a gente sabe que anda lendo muito o tdud? quando está prestes a fazer piadinhas com balões que enchem e se perdem - eu resolvi tomar atitudes drásticas.
Eu já disse que adoro a Fernanda Young e acho que nos últimos dois programas ela disse coisas que fazem sentido pra mim: uma que isso de escrever não exorciza, do que eu discordo completamente. Não cura, não resolve, mas que dá um puta alívio, isso dá. Ou então eu aqui tô fazendo a coisa muito errada. Então seguem algumas lamentações que todo mundo já conhece e pensamentos que todo mundo já sabe, eu inclusive, mas tem horas na vida em que a gente simplesmente tem que recapitular. Tipo aquilo de fazer revisão antes do vestibular.
A outra é que ela nunca conseguiu ficar amiga de ex-namorado.
Eu não tenho namorado, nem ex, mas entendo muito o que ela diz. Eu há muito tempo percebi isso em mim, que tenho uma dificuldade gigante em conviver, mesmo minimamente, com pessoas com as quais já tive uma proximidade muito grande que foi quebrada por alguma razão. Durante anos tentei mudar isso em mim, pensando constantemente no assunto, sem me torturar em demasia porque reconheço que fiz o melhor que eu poderia na ocasião, mas eu achava que esse melhor de então poderia melhorar, pra um melhor de agora, não tão radical, um pouco mais humano e compassivo.
Aí vieram os testes. Em um eu achei que passei bem, com toda a raiva, respirei fundo e tentei encarar como adulta. No seguinte também, não ser radical e pedir para devolverem minhas coisas, tentar conversar civilizadamente sobre o problema - coisa que nunca tive a oportunidade de fazer porque, a meu ver, antes de eu poder colocar em prática o esforço, a situação sofreu reviravoltas que me fizeram perder a vontade de falar.
Aí agora, finalmente, surge um Everest. Eu fui a passos de formiga, um dia de cada vez, não importa a aparência ou o que outras pessoas pensem a respeito, muito lentamente eu tomei consciência de que não gostava do lugar que ocupava, finalmente tive força pra dar o primeiro passo, de formiga e aos prantos, tremendo de medo do que eu deixava para trás e, mais ainda, muito mais, do que eu deixava para frente. Humildemente, me recolhi. Dessa vez com os motivos às claras e aceitação. "Não é isso que eu quero, mas aceito, se é pro seu bem". É tão engraçado quando as pessoas não acreditam na gente. Quando a gente não acredita nem tanto, porque aí nada acontece, mesmo, mas quando a pessoa olha na sua cara e blefa, sem nunca acreditar que você afinal de contas pode mesmo fazer o que disse que faria. Aí ela cai em si, começa a perceber que você falava sério e vem o esperneio.
Eu digo uma coisa: eu sei o quanto eu fiz por essa história, quanto tentei parar de olhar o meu umbigo e aceitar que as pessoas são diferentes do que eu quero e têm necessidades tão grandes quanto meus desejos. Então eu segui, com meus passinhos, arrastando aquele peso enorme nas costas e seguindo. Instinto, ou sei lá. Sufocamento. Saber que não dava para continuar não vivendo daquela maneira.
Imagino que seja difícil isso, você se acostumar com uma pessoa ali, saber do poder que tem sobre ela e abrir mão. Acho que isso é uma das maneiras de se definir amor.
Não era pro meu bem? E agora, já não é mais?
Eu sinceramente não sei o que está acontecendo e, o mais triste talvez, não me importo. Tudo que eu tentei fazer desde sempre até há cinco minutos para não ser injusta, não causar maiores danos, não ser precipitada, não ser radical, tudo rui, agora, porque eu percebo que o terreno é arido. Seco, talvez fosse a expressão mais apropriada. Eu não vejo o meu bem ser apreciado, os danos que ações externas causam em mim, a meu ver propositadamente. Quando a pessoa se levanta do alto de sua inexistência, deixa a letargia para entrar no seu mundo e tentar bagunçá-lo, a meu ver propositadamente, não há mais respeito. Sem respeito não fica nada, né?
Eu só não entendo o prêmio. Você diz gostar de uma pessoa, ela diz que está sofrendo, você pede pra mudar de assunto, falar de alguma coisa "mais leve". Você diz "olha, quer se afastar um pouco de mim? Não é o que eu quero, mas se é pro seu bem, eu aceito" e pede para ela voltar, ela te explica o porquê não pode, você ignora os motivos e fala de música.
Resultado: meu saco na lua.
Eu não entendo o prêmio. Sim, muita raiva, mágoa e dor de cotovelo. Mas eu não rastejo mais. Caio, sim, muito mais do que gostaria, mas não rastejo. Você uma vez disse que ia embora, não cito, apesar de poder, mas que para descobrir o novo, é necessário coragem de abandonar os olhos que ficam para trás, amando nossos ombros.
Eu vou, para o novo, a passos de formiga, ainda com medo, não por te deixar amando meus ombros, que você nunca amou, mas porque eu achei que talvez, se eu fizesse as coisas direito, você poderia vir a amar. Você disse que não, que não tem fantasmas e tem certeza. Eu decidi finalmente aceitar isso e o mais estranho é que você também não parece aceitar muito bem. Mas se eu o tempo todo estive para trás, ou por baixo, agora eu me levantei e, que fiquem bem claras as nossas posições. Você fica. Eu não fiz nada para te magoar, até procurei evitá-lo, mas chegou o momento em que isso não me importa mais, porque você não demonstra a mesma preocupação comigo. Então vamos brincar em pé de igualdade.
Você nunca me deu valor nem considerou o que eu sentia. Os exemplos saltam à velocidade da luz, em abundância, mas não importa.
Esta sou eu, morrendo, e te matando.
De novo, adeus, mais um e quantos forem necessários.
Aqui é outono e logo vai ser inverno. Diferente do seu, o meu tem céu azul.
Adeus.

2 comentários:

Ju Taruga disse...

Karma!!! mudei de blog (cansei da minha vida de tartaruga)... Só passei mesmo pra avisar e pra dizer que gosto quando vc escreve por aqui!
Bjos

Anônimo disse...

Aaaaaah, escreve...Escreve...