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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Se é samba que eles querem

eu tenho?
Tava aqui numa vontade de ouvir o Ney e o Pedro Luís cantando a noite severina.
Sempre me pergunto o que eles querem dizer com suassuna e sempre concluo que nunca dá pra saber exatamente o que uma pessoa quer dizer quando diz qualquer coisa.
E se a pessoa, como eu agora, não quer dizer nada?
Aí ela devia ficar em silêncio, né? Mas isso desconsidera uma tagarelice incontrolável, ou outra coisa qualquer que eu não sei o nome que dá vontade da gente dizer o que é indizível. Talvez porque não exista, ou porque a gente não tenha ainda aprendido a língua, as palavras necessárias para dizê-lo.
Tava eu aqui olhando, procrastinando. Desanimei essa noite porque rolou um desastre natural aqui em casa, envolvendo cimento, chuva e quintal. Eu nunca fui conhecida - por mim mesma, obviamente - como uma pessoa de braços fortes e hoje confirmo que 50kg realmente não são a minha praia. Ah, praia...
Então, procrastinando. Caçando na internet algo que distraia a minha atenção, que me prenda, me puxe, me segure, e anda tão tão difícil. Mesmo as palavras desinteressantes que busco como distração são poucas, terminam rápido demais e segue a pescaria. Mas procurar o quê?
Eu sei que já disse isso zilhões de vezes, mas sinto alguma raiva de mim mesma por ter terminado a busca do tempo perdido. Acho que, por ter um projeto de leitura tão longo, desacostumei de mudar e buscar outras coisas. E sinceramente ainda não superei a sensação de que essa obra é, por sua vez, insuperável. Estaria tudo dito ali? Eu sei que eu estou muito e sinto também uma preguiça em sair de novo buscando por aí outros eus.
Sinto falta das minhas aulas de francês na Unicamp e não sei onde buscá-las.
Tenho pensado demais nisso de conflitos e separações e sinto em mim, apesar de tudo, um ranço difícil de desfazer. De ditos e não ditos, pensados ou não, ações e paralisias que às vezes significam muito. Tão triste isso de ficar no final de uma história um vazio. E eu sei que essa é a minha tendência e meu desafio, minha luta e meu inimigo, porque isso de sair apagando o povo pra mim é fácil demais. Tão perigoso cair nessa balela que a gente se basta, né?
Eu qualquer hora vou viver numa caverna.
Só se tiver chocolate. Em bolo ou sorvete ou torta, que ele puro já não me apetece.

PS: Na verdade, eu tinha pensado em escrever sobre o lance do Rio receber as Olimpíadas em 2016 e como eu fiquei feliz com a escolha, e como ando torcendo o nariz pras pessoas que falam mal, porque deus-me-livre de alguém que pense diferente de mim. Fiquei feliz porque adoro as Olimpíadas, acordo de madrugada para ver absurdos como vela e hipismo e acho um barato isso do ser humano sair por aí fazendo umas maluquices, com o povo todo olhando. Gosto porque lembro de mim pulando na cama quando o Aurélio Miguel (é esse, né?) ganhou uma medalha no judô e eu era tão pequena, morava ainda em São Paulo; depois na minha onda de gravar tudo que passava na tv gravei a abertura das de Atlanta, nem imaginando que nunca mais ia olhar praquela fita. Gosto porque lembro de assistir ao vôlei masculino em Atenas com a minha mãe, da seleção que a gente adorava, que ainda tinha o Ricardinho, ganhar da Itália num quinto set por algo como 32 a 30, num jogo que eu achava que era a final, mas parece que nem era. Gosto das Olimpíadas, acho o Rio lindíssimo, concordo com todo o lance da América do Sul estar no mapa, curto demais o Lula e a sem-noçãozice dele. Achei mesmo ótimo, super não importa, mas dane-se.

Um comentário:

Anônimo disse...

Aaaaaaah, ganhei o dia só por saber que existe no (meu) mundo alguém que não demonizou a escolha do Rio!!! De perto, só ouvi análises econômicas, racionais e tal. Mas como disse o Lulinha é a vitória da "razão, da emoção e da verdade". Hihi. Bem verdade, que eu pensei mesmo foi na delícia de acompanhar os jogos que gosto tanto no Brasil, sil, sil! E eu tenho certeza que será um baita incentivo pras novas gerações no esporte. Alguém me disse que as construções olímpicas vão virar elefantes brancos, abandonados, dinheiro público jogado no lixo...Eu posso ser muito ingênua mas...Não acredito nisso. Com uma parte pode acontecer, ok. Mas se 30% ou qualquer outra estimativa inventada continuar sendo usada já tá valendo. Sei lá. Chorei com a apresentação do vídeo, com a escolha, com a vibração da delegação brasileira, só não chorei com os olhos marejados do Pelé porque ele pode ser fodido no esporte mas foi um canalha na vida pessoal. Nhéeeeee. Bjim. Dé