Pelos auto-falantes do universo
vou louvar-vos aqui na minha loa
um trabalho que fiz noutro planeta
onde nave flutua e disco voa:
fiz meu marco no solo marciano
num deserto vermelho e sem garoa.
Este marco que fiz é fortaleza
elevando ao quadrado Gibraltar.
Torreão, levadiça, raio laser
e um sistema internet de radar:
não tem sonda nem nave tripulada
que consiga descer nem decolar.
Construí o meu marco na certeza
que ninguém cibernético ou humano
poderia romper as minhas guardas
nem achar qualquer falha no meu plano
ficam todos em Fobos ou em Deimos
contemplando meu marco marciano.
O meu marco tem rosto de pessoa
tem ruínas de ruas e cidades
tem muralhas, pirâmides e restos
de culturas, demônios, divindades:
a história de Marte soterrada
pelo efêmero pó das tempestades.
Construí o meu marco gigantesco
num planalto cercado por montanhas
precipícios gelados e falésias
desenhando no ar formas estranhas
como os muros ciclópicos de Tebas
e as fatais cordilheiras da Espanha.
Bem na praça central, um monumento
embeleza o meu marco marciano:
um granito em enigma recortado
pelos rudes martelos de vulcano:
uma esfinge em perfil contra o poente
guardiã imortal do meu arcano.
Páginas
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Pra ouvir. Ou ler. Ou ver. Ou fazer o que te der na telha.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário