Comecei a fazer aulas de dança flamenca há quase exatos sete anos. Aconteceu com ela mais ou menos o mesmo que com todos os meus começos: passava por uma fase meio... ruim - sim, tem uma coisa em mim pessimista que pode, quando alimentada, rotular qualquer fase como meio ruim, mas eu vivo tentando matá-la de inanição ou silêncio - e achei que fazer uma coisa por mim, uma coisa bacana, de que eu gostasse, ajudaria.
Tenho, afinal, sorte, porque esta, como diversas outras coisas que tentei ao longo da vida, de fato ajudaram. O flamenco foi minha única e vital terapia por alguns anos. Ia nas aulas quando estava bem e quando não estava, sapateava minhas raivas e frustrações. Comecei a aprender a conciliá-las com a faculdade e, mais desesperadores, os finais de semestre repletos de trabalhos finais a serem entregues todos na mesma semana. Nunca fui muito fã, no entanto, das apresentações. Muito nervosismo e tensão e nunca achei que valia a pena. Fiz algumas, noutras faltei, ou simplesmente disse que não podia participar, mas também é fato que nunca fugi delas enlouquecidamente.
A última foi em... dezembro, talvez, de 2006. Três coreografias, começando com a mais difícil e facilitando até a última. A primeira, uma romeira, durava algo como 8 minutos exaustivos e apavorantes, uma coreografia complicada com muitos sapateados parecidos e eu dei uma erradinha básica; mas as outras duas, depois da pedreira, foram mamão com açúcar. Depois disso, começamos a aprender uma outra, que eu achava maravilhosa, quase sem sapateado nenhum, só jogos de corpo. Mas dessa eu não cheguei ao fim, porque estava num momento meio turbulento, viajando muito e acabei dando um tempo da dança. Voltei algumas vezes, pegando coreografias no meio e parando depois, até que, nos últimos seis meses de estabilidade, voltei a frequentar as aulas com mais disciplina.
De novo para me apaixonar por uma música, que sabe-se lá quando poderemos dançar.
Mas isso tudo pra dizer que essa semana, depois de 3 anos, vai rolar uma apresentação e estou achando que vou participar. Assim, como quem não quer nada, mas vamos lá. Não mata ninguém, né?
Nem sei porque comecei a contar isso, na verdade vim dizer outras coisas, mas, se essas vieram, que fiquem.
Olé.
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